O risco de roubo que a população enfrenta diariamente nas ruas e nas casas também está presente nas escolas. Dinheiro, cartões de passe, celulares e agasalhos são alguns dos alvos de crianças e adolescentes que se aproveitam do descuido de colegas para cometer furtos. O problema não é novo, mas para alguns diretores, vem se intensificando.
Entre os alunos, praticamente todos já foram vítimas de furto ou conhecem alguém que tiveram um objeto de maior ou menor valor perdido. ''Já tive um cartão de passe roubado e uma vez eu e minhas colegas perdemos R$ 25,00, que tínhamos juntado para fazer um trabalho'', conta Alessandra Garcia, de 13 anos, aluna de um colégio na Área Central. Outra adolescente, Jenifer de Oliveira Alves, de 14 anos, revela que na semana passada um colega de sala teve o celular furtado, durante a aula de Educação Física.
''Sempre falo para minha filha não ficar mostrando muito o celular, e procuro dar o dinheiro na quantia certa para o lanche'', afirma a agente de saúde Vera Márcia Cubaski, que tem uma filha de 11 anos no Colégio Estadual Marcelino Champagnat (Área Central). ''No ano passado ela ficou muitas vezes sem lanche e sem vale-transporte. Este ano parece que está melhor.''
A artesã Luciene Amauro, mãe de uma adolescente de 15 anos que estuda no Colégio Estadual Albino Feijó Sanches (Zona Sul), confirma que o problema é antigo. ''Quando minha filha era menor, sempre sumiam caneta, lápis, borracha.''
Para o diretor do Colégio Champagnat, Claudecir Almeida da Silva, a situação é a mesma que a registrada fora dos domínios da escola. ''Em qualquer lugar, se não cuidarmos dos objetos de uso pessoal, eles vão sumir.'' O diretor informa que o regulamento da escola prevê que os objetos de valor fiquem sempre junto do aluno. Segundo ele, na hora do intervalo as salas são trancadas e só reabertas na volta dos alunos. ''Recomendamos que todos estejam sempre atentos e, de preferência, não tragam dinheiro para a escola nem coisas de valor.''
Silva observa, porém, que muitos pais descumprem esta determinação e deixam que os filhos levem aparelhos caros para a escola, como celulares, ou lhes entregam quantias consideráveis de dinheiro para que paguem contas ao final da aula. ''Há aqueles que moram na periferia e, aproveitando que os filhos vêm para o Centro, lhe dão esta incumbência. Isto facilita a vida dos pais, mas não é correto. Eu já vi criança da 6 série com R$ 200,00 no bolso'', revela o diretor.
No maior colégio estadual de Londrina, o Vicente Rijo, os furtos constantes obrigaram a direção a proibir o uso de bonés. ''Os furtos acontecem em todos os períodos e envolvem alunos de todas as idades. Já tivemos até casos de encaminhamento de alunos para o Conselho Tutelar e Ministério Público'', revela o diretor geral da escola, José Donizetti Brandino.
Com 3,4 mil alunos, a escola registra, segundo o diretor, de dois a três furtos por semana. ''O problema se tornou mais frequente nos últimos anos, e uma das dificuldades que temos é que uns não delatam os outros. Na maioria das vezes identificamos os responsáveis através de conversas. Daí entramos em contato com os pais e, se necessário, com a Patrulha Escolar'', afirma Donizetti.

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