Vários túmulos foram violados nos cemitérios londrinenses
Vários túmulos foram violados nos cemitérios londrinenses | Foto: Ricardo Chicarelli



O movimento nos cemitérios durante o Dia das Mães é um dos maiores depois do período do dia de Finados. Muitos familiares de pessoas sepultadas tiveram uma desagradável surpresa neste domingo (13), ao se depararem com os jazigos violados e sem as peças de cobre ou bronze. São puxadores, placas, grades, maçanetas, parafusos, esculturas e ornamentos arrancados. As peças de metal são levadas, provavelmente, para serem vendidas em algum ferro-velho ou fundição. Mais do que o prejuízo material, o crime desestrutura emocionalmente muitas famílias. A reportagem testemunhou neste domingo várias delas inconformadas com a falta de segurança nos cemitérios e reclamando da Acesf (Administração dos Cemitérios e Serviços Funerários de Londrina) e da Guarda Municipal.

"Constatei um furto pela segunda vez no jazigo da família. Há seis meses houve o furto de um anjo de bronze de um metro de altura que meu pai havia comprado em São Paulo, porque na época não havia quem comercializasse esse tipo de produto em Londrina. Hoje (domingo), no Dia das Mães, fui ver o túmulo de meus pais e o encontrei sem as placas em que constavam os nomes. Foi uma tristeza grande. Me sinto impotente com a insegurança. Já estive aqui durante o dia e encontrei pessoas dormindo em cima do túmulo da minha família. Já me queixei na Acesf e disseram que iriam investir em segurança e não investiram nada", lamentou o médico Otávio Augusto Genta, 69, durante visita no cemitério São Pedro. "A Acesf tinha que colocar iluminação, cercas elétricas e câmeras de segurança", apontou.

O professor Rafael Gustavo Testa, 40, também passou por essa desagradável surpresa no domingo, no São Pedro. "Minha mãe faleceu no ano passado e a própria pessoa que confecciona as placas me aconselhou a confeccionar a lápide em alumínio, porque não tem tanto valor comercial quanto o bronze. Ele já vinha observando que houve aumento de furtos de placas de bronze. A da minha mãe eu fiz em alumínio, mas os ladrões levaram as outras seis placas de bronze do túmulo de minha família", relatou. "A gente fica chateado e perplexo com tudo isso. É como violar uma pessoa que já faleceu. A gente se sente bem mais incomodado com esse tipo de crime porque envolve sentimento."

No cemitério Padre Anchieta, no jardim Ideal (zona leste), a reportagem constatou as mesmas queixas. O construtor Eduardo Gaiteiro Nogueira, 65, foi visitar o jazigo da família e também o encontrou sem as peças de metal. "É o túmulo que estão a minha mãe e meu pai e a gente se depara com essa situação desagradável. A gente constrói um túmulo com todo o carinho e à noite eles roubam tudo. Levaram crucifixo, engates e puxadores de bronze. Não tem ninguém cuidando."

A dona de casa Erondina dos Santos, 79, também foi visitar o túmulo da sogra no cemitério Anchieta e constatou que roubaram todos os puxadores. "A gente sente que aqui está abandonado. Quando a gente vê uma situação dessas fica triste. O valor material não tem tanta importância, mas o sentimento é a falta de respeito com quem está aqui", criticou.

O inspetor Ederson Reis, da Guarda Municipal, estava em patrulha em um dos cemitérios quando foi abordado pela equipe de reportagem. Ele admitiu que houve um aumento de chamados por parte dos familiares reclamando da ação em cemitérios. "A Guarda Municipal vem intensificando o patrulhamento para tentar inibir o índice de furtos nos cemitérios. Não temos um efetivo tão grande, mas a gente tem remanejado as viaturas para intensificar esse patrulhamento nos cemitérios", garantiu. Ele apontou falhas na prevenção desses crimes, já que os cemitérios possuem muros baixos, poucas câmeras, pouca iluminação e o controle de fluxo das pessoas que frequentam o cemitério é falho. "Isso complica o trabalho da guarda em relação à segurança", apontou.

Nos cemitérios foram espalhados cartazes orientando a população a procurar a Guarda Municipal pelo telefone 153 nas questões de segurança dos cemitérios, informando que a atribuição da segurança nesses espaços é da Secretaria de Defesa Social.

A reportagem procurou a Acesf, mas não conseguiu contato.

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