Furto de provas pode adiar vestibular
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quarta-feira, 25 de novembro de 1998
Paulo Pegoraro 
Airton André Maurina, 22 anos, o Chapolim, foi preso em flagrante na noite de anteontem, em um shopping do centro de Cascavel, quando vendia cópias das provas que seriam aplicadas no vestibular da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), entre os dias 2 e 4 de dezembro. A Unioeste terá que refazer todas as provas e não está garantida a manutenção das datas do vestibular.
As provas prontas seriam respondidas por 15.742 candidatos, que disputarão 1.880 vagas em 34 cursos, nos câmpus de Cascavel, Toledo, Foz do Iguaçu, Marechal Cândido Rondon, e na extensão de Medianeira.
Segundo a pró-reitoria de graduação, Norma Golfetto, estão sendo inutilizadas 1 milhão de folhas de papel ofício, impressas dos dois lados. A reitoria preferiu não estimar o prejuízo, mas a Folha apurou em uma gráfica da cidade que o custo do papel e da impressão é de aproximadamente R$ 20 mil e o prazo para impressão de no mínimo 85 horas.
O furto, sobre o qual havia suspeitas ainda na semana passada, foi comprovado segunda-feira, depois que o candidato Luiz Marques da Rocha Santos, 23 anos, procurou a reitoria para informar ter recebido a oferta de cópias das provas. A Polícia Civil imediatamente foi avisada e preparou o flagrante, com a colaboração de Santos, que marcou encontro com Chapolim, preso já com R$ 1 mil na mão.
Chapolim é funcionário da Unioeste há mais de 2 anos, e trabalhava em equipamentos informatizados da gráfica, com salário de R$ 450,00 ao mês. Atualmente, estava licenciado porque decidiu procurar outro emprego, mas já prestava serviços eventuais à outra empresa.
Segundo o presidente da Comissão de Vestibulares, Tarcísio Vanderlinde, ele era de absoluta confiança, tanto que compunha o grupo de apenas cinco pessoas que tiveram acesso à gráfica durante a impressão. Ontem, na polícia, Chapolim disse que só falaria em juízo ou na presença de advogado, mas acabou fazendo algumas declarações à imprensa.
Foi uma cagada que fiz, eu não precisava de dinheiro e não sou ladrão, afirmou. Chapolim acrescentou que alguns amigos que prestarão vestibular o estimularam a furtar as provas para obterem cópias. Eu acabei fazendo a besteira.
O furto e venda de documentos oficiais é enquadrado como peculato (envolvimento de servidor público), punido com pena de 2 a 12 anos de reclusão. A situação de Chapolim pode ser amenizada porque ele é primário. Segundo o delegado Rubens do Nascimento, até a sentença, apenas a Justiça pode arbitrar fiança.
O furto pode revelar a fragilidade do esquema de segurança sobre o processo de produção de provas do vestibular. O assessor jurídico da Unioeste, Hélio Jost, porém, observa que o caso revela que nosso esquema agiu com eficiência, pois conseguimos evitar que a fraude ocorresse.
A Unioeste deve decidir ainda hoje se mantém as datas do vestibular. Para isso, precisará da garantia de que as novas provas possam ser impressas a tempo. Dificilmente isso poderá ser feito pela gráfica própria. Se outra tiver que ser contratada, haverá possivelmente a necessidade de licitação pública.


