A Sanepar está instruindo os moradores de Londrina a proteger com grades e muretas os aparelhos medidores do consumo de água de residências e estabelecimentos comerciais. A sugestão foi feita ontem pelo gerente metropolitano da Sanepar, Paulo Kishima, ao comentar a onda de furtos de hidrômetros, que somente este ano fez aproximadamente 200 vítimas na cidade. ‘‘É o tipo de delito difícil de se reprimir, portanto os moradores podem colaborar e tomar precauções’’, comentou Kishima.
O número de ocorrências do gênero é crescente. A média da última semana foi de três furtos por dia. Nos primeiros 22 dias de julho foram registrados 60 furtos. As regiões mais visadas são a oeste e a central, principalmente moradores e empresas da Vila Nova, jardins Leonor, Shangri-lá B e Santa Rita, além de imediações do Estádio do Café, na zona norte.
‘‘Sai mais barato colocar uma gradinha que arcar com a reinstalação todo mês’’, disse o comerciante Nelson de Souza Lima, 43 anos, dono da retificadora Globo, na Avenida Brasília. Em 30 dias ele teve o hidrômetro danificado uma vez e furtado em outra. Ontem, o comerciante terminou de instalar a grade. ‘‘Agora eles vão procurar um lugar mais fácil para roubar.’’
De acordo com o decreto estadual de 1988, que regula os serviços da Sanepar, o usuário é responsável pela guarda e conservação do medidor e também poderá responder por furtos, perdas e roubos do equipamento. No caso de furto, a Sanepar é obrigada a estimar o valor da conta de água por uma média dos últimos meses, já que não há outra forma de auferir o consumo.
A reinstalação custa R$ 34,00 e é feita em aproximadamente 24 horas depois da comunicação do fato (o mais indicado é acionar o 195, telefone de emergência da estatal). A Sanepar também exige a apresentação do boletim de ocorrência policial.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Gilson Garret Algauer, determinou um arrastão em ferros-velhos de Londrina para tentar descobrir receptadores do equipamento. Segundo Algauer, a operação não resultou em nenhum indício de que os hidrômetros estejam sendo comercializados como sucata. ‘‘O que mais intriga é que ainda não achamos os receptadores e o valor do equipamento é muito baixo’’, afirmou o delegado.
A Sanepar usa vários tipos de hidrômetros e vem gradativamente substituindo os mais antigos por medidores mais modernos. Segundo Kishima, todos os hidrômetros são fabricados com ferro de segunda qualidade (carcaça) e plástico. Para ele, o reaproveitamento e venda dos equipamentos furtados não compensam. Kishima disse que os aparelhos possuem numeração, logotipo e logomarca da empresa, sendo praticamente impossível o comércio no mercado negro.

mockup