Londrina - O furto de 90 metros de cabo de telefonia da Sercomtel na BR-369, próximo à Central de Abastecimento (Ceasa), na madrugada de ontem, deixou mudos 180 terminais telefônicos. Na região, a internet da operadora também não funcionou. A suspensão dos serviços atingiu os 71 boxes de comercialização do Ceasa e a administração do órgão, causando prejuízos aos comerciantes que dependem da comunicação para comprar e vender os produtos.
O roubo aconteceu logo depois da meia-noite, em uma área escondida por árvores que margeiam a rodovia, na saída para Ibiporã (Norte). De acordo com o engenheiro Fernando Antônio Jatte, da área de manutenção da Sercomtel, os cabos estavam avaliados em R$ 2,2 mil. "Mas o maior prejuízo é utilizar a mão-de-obra para substituir os cabos, cancelando a execução de outros serviços que já estavam programados. Um roubo como esse causa muito transtorno", considerou.
Segundo ele, esse é o terceiro furto da mesma natureza somente neste ano. O prejuízo totaliza 310 metros de cabo e R$ 7,7 mil. O engenheiro ressaltou que nem mesmo os alarmes instalados pela companhia telefônica nos locais onde houve registro de furtos coibiu a ação dos ladrões. Na área roubada ontem, ele estima que ocorreram pelo menos 15 furtos desde 2001. "Como o local é escondido, a polícia não consegue identificar os responsáveis", disse.
Impedida de atender clientes e comunicar-se com outras lojas de sua empresa, a comerciante Anatólia Mazur lamentou a interrupção dos serviços telefônicos no Ceasa. "Hoje (terça-feira) é o dia em que fazemos entregas. Como grande parte dos clientes faz os pedidos pelo telefone fixo, vamos perder negócios", afirmou ela, que também enfrentou transtornos por causa da ausência da internet. "Estamos sem contato com as outras lojas."
O responsável pela compra e venda de outro box, Sérgio José da Silva, acrescentou que a falta de internet impossibilitou a empresa de passar orçamentos aos clientes. "É por telefone e internet que fazemos as negociações. Com certeza vamos perder vendas, quem vai pagar pelo prejuízo?", questionou.
O gerente do Ceasa de Londrina, Ismael Batista da Fonseca, lembrou que a suspensão da telefonia fixa por conta dos roubos de cabo é comum na região. "Só no ano passado foram quatro vezes. Como o trabalho nos boxes é na área de vendas, os negócios ficam comprometidos", afirmou. O uso de celular para minimizar os prejuízos, segundo ele, aumenta o custo operacional das empresas. "A maioria dos comerciantes prefere usar o fixo, que tem tarifas mais baixas."

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