Seis dias depois de acidente nas torres de transmissão de Furnas Centrais Elétricas, no qual morreram três operários, o Instituto de Criminalística de Londrina expediu ontem um comunicado à delegacia de Ivaiporã (110 quilômetros ao sul de Apucarana) alertando para a situação de risco no local. O documento recomenda a suspensão das obras nas torres de transmissão de energia do sistema Itaipu-Ivaiporã. A empresa, no entanto, se antecipou à recomendação da Criminalística e suspendeu temporariamente as obras.
Na semana passada, a queda de uma torre em Arapuã (123 quilômetros ao sul de Apucarana), durante as obras de reforço das estruturas, causou a morte de três operários e deixou outros oito feridos, sendo que dois deles com membros amputados. Um acidente semelhante, ocorrido no dia 21 de janeiro, na mesma região, também matou 3 operários, que trabalhavam na grampeação dos cabos condutores.
Após receber o documento do Instituto do Criminalística, o delegado Aparecido Antônio Gregório esteve ontem à tarde na sede de Furnas Centrais Elétricas, na rodovia BR-466, entre Ivaiporã e Manoel Ribas. O objetivo da visita foi negociar a paralisação das obras. Ao chegar à sede, no entanto, o delegado recebeu a informação de que a empresa se antecipou à medida e determinou, no último sábado, a suspensão das obras que eram desenvolvidas pela empreiteira Nativa, do Rio de Janeiro.
O engenheiro Laércio Mazzo, de Furnas, informou que a direção da empresa decidiu suspender temporariamente a obra até que sejam identificadas as possíveis falhas e que se adotem as medidas corretivas. ‘‘Este é um serviço que exige uma série de procedimentos em ordem cronológica, além de equipamentos e normas de segurança no trabalho’’, explica Mazzo. Segundo o engenheiro, Furnas optou por agir preventivamente, aguardando os laudos dos peritos.
O engenheiro informa nos últimos meses a etapa de reforço da estrutura (fixação de peças metálicas) foi executada em mais de 450 torres no trecho Itaipu-Ivaiporã. ‘‘O objetivo deste trabalho é garantir que as torres de transmissão de energia fiquem mais resistentes, suportando ventos de até 200 quilômetros por hora’’, diz Mazzo.
Ainda ontem, após conversar com o delegado Aparecido Antônio Gregório, o engenheiro compareceu à Delegacia de Ivaiporã, para entregar um documento, no qual Furnas assume oficialmente a suspensão das obras nas torres da sua terceira linha de transmissão, na ligação Itaipu-Ivaiporã. Enquanto as obras estiverem suspensas, restarão 11 torres para a conclusão da linha.
O perito do Instituto Criminalística Luciano Bucharles, que coordena a investigação sobre o acidente, informou ontem que o documento encaminhado à autoridade policial é meramente preliminar e tem o objetivo único de alertar para uma situação de risco.
‘‘Como os laudos técnicos sobre o acidente deverão ser concluídos apenas em 20 dias, não desejamos incorrer no erro de omissão’’, declara Bucharles. Segundo ele, existem evidências de falhas e o receio de que o pessoal encarregado das obras continue agindo de modo incorreto, expondo operários a novos riscos.
Luciano Bucharles - que é engenheiro civil especializado em segurança do trabalho - diz que o maior interesse do instituto é agir preventivamente, considerando que os dois acidentes, muito parecidos, resultaram em mais de dez vítimas, sendo seis fatais.
Como são necessários exames químicos e de resistência nos componentes das torres, Bucharles informou que os laudos sobre o acidente do dia 12 só ficarão prontos em março. De acordo com ele, na análise do local onde os operários morreram foram constatados ‘‘fatos relevantes em termos de segurança’’. Ele adianta que os cintos de segurança dos operários estavam mal posicionados.

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