Furlan detinha 40% do mercado pirata
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Marcos Zanatta 
A Polícia Federal acredita que tenha desmontado o principal esquema de gravação de fitas cassete e CDs piratas do País com a operação que terminou com a prisão de Eder Carlos Furlan, anteontem em Maringá. Ontem, a PF divulgou a prisão de outros três envolvidos com o esquema de Furlan - Eliete Furlan, irmã dele, Jorge dos Santos, e Aparecida de Lourdes Creado.
Todos compravam equipamentos subsidiados para a gravação de fitas e discos piratas. Para o delegado Antônio Borges, de Brasília, Furlan tinha pelo menos 40% do mercado pirata e, individualmente, era o maior distribuidor de equipamentos e materiais como fitas e CDs.
O esquema de Furlan, explica Borges, era de comprar máquinas fonográficas para a gravação de cassetes e CDs e repassar com facilidades para terceiros reproduzirem as gravações de mercado garantido. Parte dos equipamentos era importada legalmente para o negócio parecer lícito, mas o maior volume entrava no País sem documentação. Os equipamentos vinham principalmente da China e Estados Unidos. Ontem à tarde, 12 equipamentos para reprodução de cassetes e nove de CDs já haviam sido apreendidos pela PF em Maringá.
Segundo o delegado Borges, quando a polícia desencadeou a operação que apreendeu grande quantidade de fitas cassete em Maringá no ano passado Furlan já estava mudando para o mercado de CDs piratas. Como o cerco se fechou também contra os CDs, ele começou a montar um esquema mais seguro, terceirizando o serviço de risco maior.
Para Borges, o volume de material apreendido na operação de anteontem, que mobilizou 65 policiais das superintendências do Paraná e Santa Catarina, não é tão grande. Mas a importância da diligência está na qualidade do esquema que foi desmantelado, ressalta. Borges diz que a apreensão dará repercussão no mercado. Pelo menos 800 clientes de Furlan estão listados e serão investigados pela PF.
Outro fato relavante da operação, segundo o delegado, é que peritos da PF de Brasília participaram do trabalho e conseguiram fechar os computadores das duas empresas de Furlan. Através das informações contidas no sistema teremos condições de levantar mais irregularidades cometidas por ele, explica Borges. A empresa Max Fitas está no nome do pai de Furlan. Em depoimento ele alega apenas prestar assessoria à empresa do pai. Na revenda Yamaha, a Cymona, a PF encontrou cinco jet sky, dois barcos e vários materiais sem documentação. Com o que estamos levantando acho que teremos provas de vários crimes cometidos por Furlan, afirma Borges.
Funcionários da empresa de fitas disseram ontem à polícia que vários clientes ligaram preocupados com a situação. Junto com a Receita Federal e o fisco do Estado vamos acionar todos os relacionados, promete o delegado. Os presos começaram a prestar depoimento ontem e estão à disposição da Justiça Federal. Segundo o delegado Borges, Furlan alegou que faturava cerca de R$ 3,5 mil das duas empresas. Se ele trabalhasse para uma grande gravadora seria um ótimo gerente de marketing. Ele é muito esperto, disse Borges.


