Paulo Ubiratan
O funileiro Eziel Batista da Silva, 22 anos, diz que foi agredido na madrugada de ontem em Londrina por um policial que ele soube identificar apenas por Jozemar que, segundo ele, estava na viatura 3629, junto com o soldado Ivanir.
‘‘Levei tapas e socos no rosto, cabeça e barriga. O soldado parecia estar completamente fora de si’’, contou o funileiro à polícia. O que chamou a atenção dele é que o outro policial não o agrediu e chegou até a criticar a atitude do companheiro após os ânimos terem se acalmado. O comando da Polícia Militar não informou o nome completo dos policiais.
A agressão teria ocorrido na esquina das Avenidas Portugal e Dez de Dezembro (Jardim Piza), quando a vítima procurava junto com o amigo Adão Costa um posto de combustível para comprar gasolina. Minutos antes, o Uno de Eziel havia ficado parado na Avenida Portugal por falta de gasolina. As esposas ficaram no carro e os dois saíram a procura do combustível. Segundo a vítima, na hora da confusão, o seu amigo não apanhou.
‘‘Parecia que a agressão do soldado era dirigida exclusivamente para mim. Logo que ele parou a viatura, saiu ao gritos indagando o que nós, vagabundos, estávamos fazendo àquela hora na rua. Depois, se dirigia somente a mim com as agressões físicas e palavras de baixo calão’’, afirmou o funileiro.
Segundo ele, o soldado chegou a algemá-lo e a sacar sua arma ameaçando-o matá-lo caso tentasse fugir. Na sequência, eles foram postos na viatura para ser levados até o plantão da 10ª Subdivisão Policial (SDP), mas surpreendentemente os soldados desistiram da intenção.
Conforme Eziel, no caminho da 10ª SDP, o policial Jozemar mudou totalmente o seu comportamento e pediu para que eles mostrassem o local onde estavam as suas esposas para levá-los até elas. ‘‘Quando chegamos onde elas estavam, o policial começou a se justificar. Ele apontava para a farda e dizia que com a aquela roupa não respeitava nem seu pai, muito menos nós. A questão era saber se não éramos bandidos’’, afirmou. O denunciante disse que também ficou surpreso quando Josemar se prontificou e foi comprar a gasolina para o Uno, como se nada houvesse ocorrido.
O subcomandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, major Manoel da Cruz Neto, disse que ouviu o depoimento da vítima e solicitou também que o os dois soldados fossem ouvidos, para então, se for necessário, tomar providências disciplinares e administrativas. ‘‘Não vamos prejulgar e condenar ninguém’’, afirmou o major. Eziel foi ontem à tarde ao Instituto Médico-Legal (IML) fazer exames de lesões corporais. Ele dizia que sentia dores no estômago e na cabeça devido a surra que levou.Agressão teria ocorrido quando rapaz tentava encontrar posto de combustível
Dorico da SilvaVítimaEziel Batista afirma que levou tapas e socos no rosto, cabeça e barriga. ‘‘Logo que o policial parou a viatura, saiu ao gritos indagando o que nós, vagabundos, estávamos fazendo àquela hora na rua’’

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