Funileiro degola dois filhos menores
Leonardo Revesso
De Umuarama
Especial para a Folha
O funileiro Ezequiel Marcolino Barbosa, 28 anos, matou dois dos três filhos, sexta-feira à noite, em São Jorge do Patrocínio (73 km a oeste de Umuarama). As crianças, de 5 e 2 anos, foram degoladas. Barbosa, que também responde por homicídio em Santo André (SP), diz ter matado os filhos para não perdê-los para a mulher, que ameaçava deixá-lo. Mas durante o depoimento à polícia, falou que não era bobo de pagar pensão alimentícia para vagabundo, possivelmente referindo-se às ameaças que a mulher estaria fazendo quando se referia à separação. O enterro foi ontem pela manhã.
O crime comoveu e revoltou a cidade. Barbosa teve que ser transferido às pressas para uma cadeia da região. Na porta da delegacia, um grupo de pessoas furiosas ameaçava linchá-lo. Houve desentendimento com a polícia. Ontem, durante o enterro, algumas pessoas estariam buscando informações sobre o local para onde o funileiro foi levado. A polícia tem evitado até mesmo a publicação de fotos de Barbosa para impedir que ele seja assassinado por companheiros de cela. É um crime que choca a todos, mesmo bandidos, disse o delegado Acir Fonseca Moura.
Ao se entregar à polícia, Barbosa contou que seu objetivo era matar os três filhos, inclusive o mais velho, de 8 anos. O primeiro a ser morto foi Talison, 2 anos. Primeiro eu passei a faca no pescoço dele e depois dei mais uma furadinha. O garoto nem chorou. Deu mais uns passos e caiu, descreveu, friamente. A menina Taís, de 2 anos, viu o irmão ser degolado. Fiz o mesmo com ela, mas ela chorou um pouquinho.
O filho mais velho, de 8 anos, conseguiu correr do pai. Ele saiu correndo, então joguei a faca na perna dele, mas ele fugiu. Queria tê-lo matado para sentir uma paz interior ainda mais forte, disse Barbosa. Os dois que morreram vão ficar para sempre dentro do meu coração, disse.
Barbosa e a mulher, Marta Fortunato, estariam se desentendendo desde a mudança da família de São Paulo para o Paraná. Sexta-feira, depois de mais uma briga, Marta viajou para São Paulo. Ela chegou a tempo para o enterro dos filhos. A mulher não conseguia falar. Por medida de segurança, o local onde Barbosa está preso continuará em sigilo. Estamos envergonhados com tudo isso que aconteceu aqui. Esse homem tem que morrer. É só sabermos onde está que vamos lá, disse um comerciante, que não quis se identificar.





