Funerárias vão pagar médico
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de julho de 1998
Sid Sauer 
As duas funerárias de Campo Mourão vão bancar o pagamento de um médico legista para o Instituto Médico-Legal (IML) da cidade. O acordo saiu esta semana e visa impedir que o órgão feche as portas no município por falta de funcionários. O dinheiro - R$ 700,00 por mês - será repassado ao Fundo Municipal de Segurança, que então fará o pagamento ao médico. Uma funerária também se comprometeu a ceder um motorista sempre que o IML precisar.
A ameaça de fechamento do IML de Campo Mourão surgiu há cerca de dois meses, quando o único médico legista do órgão, Miguel Sanders, admitiu que poderia deixar o cargo porque estava sobrecarregado. Além dele, apenas o auxiliar de necrópsia, Milton Scheibel, trabalha no IML. Uma secretária teve o contrato vencido e não foi recontratada e um outro médico deixou a cidade sem ser substituído.
Os laudos de perícia emitidos pelo IML têm, obrigatoriamente, que ser assinados por dois médicos habilitados, diz o presidente do Conselho Municipal de Segurança, Luís Gonzaga de Oliveira Aguiar. A idéia de fazer a iniciativa privada bancar o pagamento do médico surgiu quando a Secretaria de Estado da Segurança Pública avisou que não dispunha de recursos para a contratação de novos profissionais.
Sem secretária e sem motorista, quem tem que fazer o serviço burocrático e dirigir a viatura enviada no ano passado é o auxiliar de necrópsia. Com o acúmulo de serviço, vários inquéritos acabaram atrasando e já obrigaram até o delegado-chefe da 16ª Subdivisão Policial, Roberval Butaccini, a enviar um ofício esclarecendo o problema ao Fórum. Em média, o IML expede cerca de 35 laudos por semana em casos de toda a região, que inclui até Cianorte.


