Por 14 votos a zero, a Câmara de Vereadores de Campo Mourão aprovou anteontem à noite o projeto de lei que proíbe as funerárias da cidade de funcionarem no mesmo prédio. As duas únicas funerárias de Campo Mourão atendem no mesmo endereço há sete anos. Elas alegam redução de custos e têm autorização do Conselho Municipal dos Serviços Funerários.

O projeto aprovado também diz que as funerárias não poderão cobrar serviços como preparação de corpo, cruz de madeira, flor para enfeite do caixão, aplicação de formol e coroa de lata. Uma emenda também definiu que o preço de venda de uma urna funerária não poderá ser superior a 100% do preço de fábrica. Hoje o caixão mais barato na cidade custa R$ 102,00. Outra emenda aprovada na proposta obriga a contratação de funcionárias para a preparação do corpo de mulheres.

''Se essas regras já existissem nem precisaríamos ter feito a CPI no começo do ano'', disse ontem o vereador Sidnei Jardim (PPS). Ele foi o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou o setor e é um dos autores do projeto.

O relatório final da CPI acusou as duas funerárias de descumprimento de cláusulas do contrato de concessão, sonegação de impostos e mau atendimento. O relatório chegou a pedir que as empresas fossem proibidas de participar de novas licitações em Campo Mourão. Nenhuma das sugestões da CPI foi acatada até agora. Pelo contrário, o contrato delas foi prorrogado.

Os donos das funerárias Sesf e São Pedro não moram em Campo Mourão. Durante a CPI, eles alegaram que o trabalho no mesmo prédio permite preços mais baixos. Os empresários afirmaram que o prédio é apenas um depósito, uma vez que a prefeitura mantém a Central Funerária no Cemitério Municipal. Eles alegam ainda que o preço da venda dos caixões inclui a prestação de serviços.

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