A Câmara Municipal de Curitiba aprovou ontem, por unanimidade, o requerimento que transforma em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Comissão Especial de Investigação (CEI) que apura as denúncias de suposta cartelização do setor funerário na cidade. A proposta foi apresentado na semana passada, com a assinatura de 17 vereadores, quando seriam necessárias apenas 12 assinaturas para que o pedido fosse votado em plenário.
Segundo o presidente da Câmara, João Cláudio Derosso (PFL), a instalação da CPI foi motivada por causa do desrespeito de alguns convidados com os vereadores. ‘‘As pessoas que eram chamadas para depor não compareciam. Isso fez com que a situação e a oposição se unissem e instalassem, após 12 anos, a primeira CPI na Câmara Municipal’’, justificou.
O requerimento pede prazo de 90 dias para a conclusão dos trabalhos da CPI, que será formada por nove vereadores. Mas, de acordo com o vereador Natálio Stica (PT), não serão necessários mais de 45 dias para o término das investigações. ‘‘Está tudo encaminhado. Faltam apenas alguns depoimentos e as conclusões finais.’’
Amanhã, todos os líderes de partido deverão indicar seus representantes na CPI das Funerárias. O relator e o presidente deverão ser escolhidos logo depois, durante a primeira reunião dos parlamentares. Na semana que vem, o ex-diretor do Serviço Funerário Municipal (SFM), Paulo Wotkoski Filho, o Paulo Polati, será convocado para depor à comissão.
Ele é acusado de facilitar a cartelização das funerárias e de estabelecer normas prejudiciais, como a implantação de um ‘‘pedágio’’ para as empresas funerárias da região metropolitana atuar em Curitiba. Também será convocado para depor o ex-diretor do Instituto Médico Legal (IML), Francisco Moraes e Silva.
Após os depoimentos, os vereadores farão propostas para a regulamentação dos fundos mútuos (espécie de seguro para serviços funerários) e para a modificação da legislação funerária municipal. Stica disse que a intenção é acabar com a tabela de funerárias e criar uma fiscalização rígida no setor.
As denúncias contra o relator da CEI das Funerárias, Luis Ernesto Pereira (PSDB), também serão analisadas pela CPI. Segundo essas denúncias, Luis Ernesto estaria usando duas vans de uma funerária de Curitiba. O vereador diz que os veículos fazem parte de um contrato feito entre o programa de rádio que ele apresenta e a empresa.

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