Funerárias condenam doações
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quarta-feira, 13 de junho de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
De cada quatro sepultamentos realizados em Campo Mourão, um é feito com caixão doado por uma das duas funerárias da cidade. No ano passado, foram 109 urnas funerárias doadas para um total de 475 sepultamentos. Os dados são da Central Funerária, que é mantida pela prefeitura. As funerárias se queixam dos prejuízos e reclamam dos critérios do departamento de Ação Social da prefeitura para liberar a guia de doação.
Tem gente boa sendo enterrada em caixão de doação, reclamou Ademir Sobral de Jesus, dono da funerária Sesf, ao depor à CPI dos Serviços Funerários. A empresa dele teve que doar 47 urnas durante o ano passado. A funerária São Pedro doou outras 62. Este ano já foram 46 doações entre as duas funerárias.
Segundo Sobral, o excesso de doações aumenta os custos das funerárias. Cada funeral custa R$ 303,00 para mim, disse o empresário ao depor para os vereadores. Ele afirmou que a Ação Social não está cumprindo uma norma básica que seria autorizar as doações apenas para os indigentes.
Gerente das duas funerárias de Campo Mourão durante sete anos, José Sobral da Silva desafiou os vereadores a irem verificar quem são as famílias que recebem urnas gratuitamente. As funerárias dizem que a mesma família que não tem dinheiro para o caixão acaba comprando flores, cruz de madeira e coroa de lata, que têm um custo superior aos caixões mais baratos. Em Campo Mourão, a urna funerária mais barata custa R$ 102,00.
No início do ano, a avó da mulher do vereador Sidnei Jardim (PPS) foi enterrada num caixão doado. Jardim preside uma CPI que investiga irregularidades nos Serviços Funerários. Ele disse que estava viajando quando Francisca Ferreira morreu.
No caso dela, acho justo a doação porque se trata de uma senhora que vivia com uma aposentadoria de um salário mínimo, explicou Jardim. Já a dona de casa A.R.S. disse à Folha que pediu a doação de um caixão para enterrar a mãe porque já havia gasto, um ano antes, mais de R$ 500,00 na urna para o sepultamento do pai.
A diretora do departamento de Ação Social, Maristela Ferrari, afirma que são autorizadas doações apenas para pessoas carentes. Quem se sujeita a esse caixão é porque já é bem pobre. Maristela admitiu, porém, que a doação precisa ser decidida rapidamente e nem sempre é possível checar melhor a situação financeira da família.


