Funerárias brigam por corpo no HC
Família da falecida tinha plano funerário, mas empresa de plantão não liberava corpo para velório
Vânia Casado

Marcelo Almeida
DescansoO corpo de dona Maria Dutra, 84 anos, foi velado em Almirante Tamandaré depois de 7 horas de espera no hospitalO corpo de Maria Pereira Dutra, de 84 anos, ficou retido no Hospital de Clínicas, em Curitiba, por cerca de sete horas durante a madrugada de ontem. A razão para a retenção do corpo foi um conflito entre funerárias, que disputavam o direito de fazer o enterro da falecida. Enquanto isso a família, sem saber a quem recorrer, foi submetida a horas de tensão dentro do hospital, porque seu direito de escolher a funerária que prestaria o serviço funeral não estaria sendo respeitado.
O conflito começou quando a família de Dona Maria, que reside em Almirante Tamandaré, Região Metropolitana de Curitiba, escolheu a Funerária Menino Deus, daquele município, para fazer o velório e enterro. A família paga um plano funerário à Organização Social de Luto Curitiba, a que a funerária Menino Deus presta serviço. Só que havia outra funerária de plantão no Hospital de Clínicas, a Unilutos, de Curitiba, na sexta-feira, quando ocorreu o falecimento.
A família de Maria Dutra se queixa de ter ficado até 1h20 da madrugada de sábado para ter o corpo liberado, embora a morte tenha sido comunicada por volta de 17h20 de sexta-feira. Carlos Roberto de Carvalho, neto de Dona Maria, contou que a família foi avisada do falecimento da avó, pelo HC, às 17h30. Uma das netas, Neusa da Silva, chegou ao Hospital às 18 horas para liberar o corpo junto à assistência social do HC. Carlos Carvalho chegou ao hospital já com os serviços da funerária Menino Deus contratado, por volta de 20 horas.
Foi aí que começou a confusão. Carvalho alega que o funcionário da Unilutos não queria liberar o corpo porque exigia uma comprovação de que Maria Dutra morava em Almirante Tamandaré. A família argumentava que não tinha como comprovar porque a falecida, em idade avançada, não tinha mais nada em seu nome. Nem carnê de pagamento em lojas, nem serviços de água ou luz. Carvalho disse que foi humilhado porque a Unilutos exigia o comprovante de residência e ele não tinha como buscar esse comprovante junto a uma delegacia do município àquela hora da noite.
Por fim, no início da madrugada o conflito foi encerrado, e o funeral acabou sendo feito pela Funerária Menino Deus, escolhida pela família. Agora Carvalho disse que vai entrar na Justiça por perdas e danos morais, em função das horas de tensão que os familiares passaram no HC.
O diretor operacional da Unilutos, Gélsio Miguel Shibelbein, negou o ocorrido, argumentando que a funerária não tem o poder de reter o corpo, pois que quem faz a liberação é o Serviço Funerário de Curitiba. Ele atribui à família a culpa pelo atraso na liberação do corpo. Segundo Shibelbein, a família chegou ao HC argumentando que tinha um plano funerário com a funerária contratada por volta de 22 horas. ‘‘Depois desse horário, até conseguir a liberação junto à prefeitura e voltar, demorou mais um pouco e a liberação acabou ocorrendo por volta de 1 hora da manh㒒, confirmou.
Carlos Carvalho estava revoltado porque não podia exercer o ‘‘direito’’ de escolher a funerária para fazer o funeral da avó. Segundo ele, sua família paga R$ 12,00 por mês por um plano funerário, que cobriria as despesas para o funeral de seis pessoas. ‘‘Por que somos obrigados a pagar para as funerárias de plantão na prefeitura de Curitiba ou no Hospital de Clínicas, se já pagamos o plano?’’, questiona Carvalho.

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