Funerárias atuam ilegamente e travam brigas na hora do enterro
Funerárias atuam ilegamente e
travam brigas na hora do enterro
Irregularidades
incluem falta de
alvará e venda
ilegal de consórcios
Guilherme Vieira
Marcelo AlmeidaCarvalho, que levou 7 horas para liberar o corpo da avó: tensãoDas 39 empresas que trabalham com serviço funerário em Curitiba, 18 especializadas na venda de consórcios para a realização de funerais atuam irregularmente. Elas se aproveitam de brechas na legislação para operar ilegalmente no mercado. Como consequência desse trabalho clandestino, os clientes dessas empresas acabam passando por maus bocados e aguardando por horas a fio na hora de liberar os corpos de seus familiares junto ao Serviço Funerário Municipal.
Isso ocorreu na sexta-feira com a família de Maria Pereira Dutra, 84 anos, que pagava uma cota à Organização Social de Luto de Curitiba, e cujo corpo ficou retido no Hospital de Clínicas por quase sete horas. A confusão aconteceu quando o neto de Maria, Carlos Carvalho, chegou ao hospital acompanhado de funcionários da Funerária Menino Deus, de Almirante Tamandaré, contratada pela Organização Social para atendê-lo.
Nesse momento um funcionário da Unilutos não quis liberar o corpo, alegando prioridade sobre o sepultamento. A crise só foi contornada por volta de 1h30 de sábado, quando o corpo foi liberado. Vamos entrar na Justiça contra a Unilutos por causa da humilhação e tensão a que fomos submetidos, avisou Carvalho.
Para o diretor do Departamento de Serviços Especiais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Paulo Polati, a orientação é jogar duro quando se percebe que empresas que não possuem autorização para trabalhar.
Ele explicou que dessas 18 empresas irregulares, 10 estão com inquéritos correndo na prefeitura de Curitiba e na Polícia Federal, mas que os trâmites jurídicos impedem a divulgação dos nomes de quem está irregular. As irregularidades que estão sendo investigadas são relacionadas ao trabalho de vendedores de consórcios sem autorização do Banco Central, e à falta de alvará e licença da prefeitura para atuar nesse segmento.
Polati explica que essas empresas já foram visitadas pela fiscalização por duas vezes. Na útima vistoria realizada no início de maio, muitas foram autuadas, e notificadas a regularizar sua situação ou fechar as portas.





