Funerária de Mamborê reduz os preços e provoca polêmica
Sid Sauer
De Campo Mourão
Em funcionamento em Mamborê (36 km a sudoeste de Campo Mourão) há 90 dias, a Funerária Municipal está inviabilizando o trabalho das duas empresas privadas que atuam na cidade. Desde que começou a funcionar, a funerária da prefeitura fez 14, dos 17 sepultamentos realizados na cidade. Todos os caixões foram doados.
Só não implantamos a funerária municipal antes porque estávamos com dó das duas empresas, disse o prefeito Ricardo Radomski. Mas os serviços delas estavam ruins, afirmou. Segundo ele, havia reclamações na prefeitura sobre preço alto de caixões e que as funerárias estariam cobrando por fora de famílias carentes que tinham urnas funerárias pagas pela prefeitura.
Radomski diz que os caixões doados aos carentes pela funerária municipal são bem melhores do que os anteriores, repassados através das empresas particulares. Como era a prefeitura que pagava pelas doações, o povo xingava o prefeito. Agora, os baixos custos são o principal orgulho de Radomski. Segundo ele, um caixão normalmente vendido a R$ 1.500,00 numa funerária privada não custa mais do que R$ 300,00 na prefeitura.
Deniel Martins Freitas, dono de uma funerária em Mamborê há 16 anos, ainda acredita que possa haver um acordo com a prefeitura. Vou tentar conversar com o prefeito, disse. Em três meses concorrendo com a funerária municipal, ele não conseguiu vender nenhum caixão. O prejuízo foi de R$ 1,2 mil. Ele só está se mantendo porque é dono de outra funerária em Altamira do Paraná (140 km ao sul de Campo Mourão). Freitas admitiu que a tendência é fechar as portas. Ele acha que a prefeitura teria um custo menor se mantivesse um convênio com as funerárias já existentes.
O dono da outra funerária particular, Daniel Pereira Menezes, é mais polêmico. É fácil vender caixão mais barato quando é o povo que paga as despesas. Eu tenho família para tratar, funcionários e impostos para pagar, reclamou. Apesar da bronca, ele disse que aguenta a concorrência porque implantou na cidade o sistema de consórcio. Os interessados pagam R$ 10,80 por mês com direito a caixão quando morrer. Em Mamborê, em média, morrem seis pessoas por mês. A prefeitura já construiu capela mortuária e comprou carro para o transporte de defuntos.





