De acordo com um levantamento feito pela Cohab (Companhia de Habitação), cerca de 3.300 famílias moram em áreas de fundo de vale em Curitiba. São terrenos considerados impróprios para a habitação, por causa das constantes inundações. A área ocupada atinge os rios Iguaçu, Atuba, Belém, Passaúna e Barigui e as regiões leste, sul e oeste.
Para contornar o problema, algumas famílias já começaram a ser relocadas para terrenos regulares. Nos últimos dois anos foram feitas mudanças de 800 famílias. A previsão é a de que neste ano, outras 300 sejam retiradas das áreas consideradas impróprias. Para fazer a remoção das famílias, a prefeitura conta com os recursos captados pelo Fundo Municipal de Habitação, que nos últimos oito anos já utilizou R$ 13 milhões (em valores atualizados). Os recursos do fundo são usados para o loteamento de novas áreas, regularização de lotes e relocação de famílias de áreas consideradas de risco.
Enquanto a relocação das famílias acontece de forma gradativa, uma equipe do Departamento de Limpeza Pública da Secretaria Municipal do Meio Ambiente trabalha na recuperação dos rios. A ação faz parte do programa ‘‘Olho D’Água’’ - responsável pela retirada de 1.100 quilos de lixo por dia dos rios. Ao todo, a equipe de 35 técnicos conta com três barcos e um caminhão. ‘‘Se tivéssemos uma equipe maior, tiraríamos ainda mais lixo das águas’’, conta Nelson Xavier, diretor do departamento. De acordo com ele, os moradores das regiões ribeirinhas jogam lixo nas margens dos rios e são os responsáveis pelos entupimentos e alagamentos ocorridos nos dias de chuva.
Além da retirada dos detritos, os técnicos fazem o acompanhamento da qualidade da água dos rios em 43 pontos da cidade, nas bacias dos rios Belém, Barigui e Passaúna. As análises feitas pelo programa servem como subsídios para que a prefeitura faça o desbloqueio de rios pelo acúmulo de resíduos, a correção de ligações clandestinas de esgoto e a recomposição da vegetação na margem dos rios.
O trabalho de conscientização da população ribeirinha também é um dos objetivos da equipe de técnicos do programa. Crianças de escolas municipais das regiões atingidas são orientadas a manter os rios limpos. ‘‘Sabemos que é muito mais fácil educar uma criança do que tentar orientar um adulto e, por isto, estamos investindo nelas’’, diz Xavier.

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