Mário CésarAnticartão postalPerto da barragem do lago Igapó, o entulho e o lixo forram a paisagem: reclamação da comunidadeUma grande área de fundo de vale do conjunto Semíramis Braga (zona norte), ao lado da favela Belinati, foi encontrada ontem repleta de entulhos de construção e lixo de toda espécie. À tarde era possível observar no local garrafas plásticas, roupas velhas, pedaços de geladeira, almofada, sofá, galhos secos, etc. A situação não era diferente quase ao lado da barragem do lago Igapó (centro), que também acumulava uma grande quantidade de lixo - aos poucos, retirado por funcionários da Prefeitura.
O problema da sujeira nas áreas de fundo de vale pode ser observado nos quatro cantos de Londrina. Ao invés de serem destinados à preservação, esses locais estão se transformando em depósitos de lixo e revoltando a população. ‘‘Aqui todo mundo joga, até caminhão da Prefeitura. Já cansamos de reclamar’’, diz Déli Soares, que mora no Semíramis há 15 anos.
Soares explica a Prefeitura já limpou parte da área, onde caminhões da Secretaria de Obras foram flagrados jogando entulho na semana passada. ‘‘Antes aqui dava nojo. Se pelo menos eles continuassem limpando sempre... Mas daqui a pouco o lixo está lá em cima de novo’’, diz. Para ele, o trabalho de limpeza foi feito apenas porque a rede de esgoto está sendo instalada na região. ‘‘O lixo estava atrapalhando. Senão ficava tudo igual.’’
O morador lembra que alguns anos atrás organizou uma horta onde hoje há lixo. ‘‘Tinha de tudo: alface, chuchu, quiabo, que dava para vender e ganhar um dinheirinho. Mas aí veio a Prefeitura e passou a máquina, disse que era proibido. Depois olha o que virou. Agora é que está bonito’’, ironiza.
Mas o problema maior agora é mesmo ao lado da favela, onde entulhos estão quase invadindo a rua. ‘‘Lá está a maior anarquia. A pessoa pára o carro, deixa uma caixa e você vai ver tem um cachorro morto dentro. Um dia até invoquei com um cara por causa disso, mandei que ele enterrasse o animal em outro lugar’’, diz Maurício Trindade, morador da região há sete anos.
Na região central, a reclamação continua. ‘‘Aqui tem de tudo: cadeira, sofá, caixa garrafa de plástico. Deram uma limpada agora, mas sempre está muito sujo. Se o pessoal tivesse mais cuidado daria até para isso virar um praça. Mas está difícil’’, aponta Roberto Sardi, que mora há cerca de três anos nas margens do Vale Verde.
Outro que também está cansado de reclamar é Sunao Nakabayashi, que há quase 20 anos reside no Vale Verde. ‘‘Do começo do ano para cá isso ficou abandonado de vez. Esses dias passou um trator (para fazer a roçagem) mas não adianta, tinha que pôr gente para fiscalizar’’, afirma. Nakabayashi diz que quase diariamente caminhões e carroças despejam entulho no Vale Verde.
‘‘O pessoal deveria caprichar mais um pouco. Já plantei tanto - abacate, manga, ameixa - mas vem a molecada e arranca tudo. Aí desanima’’, diz Nakabayashi. Para ele, não fosse a sujeira, o Vale Verde poderia ser transformado em uma imensa área de lazer, inclusive com a incrementação do número de espécies de peixe que habitam o Igapó e incentivo a pescaria.

mockup