Fundos de vale se transformam em lixões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 10 de maio de 2002
Érika Pelegrino<br>Reportagem Local 
Os fundos de vale de Londrina estão servindo de depósito de lixo. Esta realidade já foi denunciada diversas vezes pela Folha e ainda não sofreu uma intervenção do município. São 83 fundos de vale. Em 2000, dados da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), hoje Secretaria do Meio Ambiente (Sema), apontavam que 70% deste total estavam ocupados por todo tipo de lixo. Hoje, segundo o secretário da Sema, João Mendonça, e a própria comunidade, 100% destas áreas estão tomadas por resíduos sólidos.
Segundo a promotora do Meio Ambiente, Luciana Lepri, a parcela maior de responsabilidade pela agonia dos fundos de vale é de entulhos de construção civil. Londrina produz por dia entre 300 e 400 toneladas/dia deste lixo, grande parte despejada a céu aberto.
A reportagem esteve em alguns destes pontos e verificou a presença de entulho de construção civil e todo tipo de lixo animais mortos, móveis, garrafas. No fundo de vale do Jardim Portal de Versalhes, mais precisamente na Rua Armando Ballarotti, marginal da PR-445, a reportagem constatou a presença de lixo de construção civil e até sofá velho. Alguns metros acima, uma tentativa frustrada de coibir este tipo de ação: uma placa Proibido Jogar Lixo.
Falta de verbas, falta de recursos humanos, falta de educação da população transformam a cidade em uma lixeira a céu aberto. O secretário da Sema afirmou que para limpar todos os fundos de vale é preciso uma verba alta, mas não soube dizer quanto. Segundo ele, não há um orçamento. Mendonça admitiu ser necessário fazer este estudo, mas depende de uma ação conjunta da Sema, Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) e Secretaria de Obras.
A conservação dos fundos de vale esbarra ainda em outro obstáculo: falta de pessoal para fiscalização. Segundo Mendonça, a secretaria conta com três fiscais e quatro voluntários para todos os assuntos referentes ao meio ambiente. Precisamos de pelo menos mais 15 fiscais que já foram solicitados para a Prefeitura, disse. Segundo ele, não há previsão para liberação do pedido.
Mendonça disse que o ideal é realizar um trabalho de fiscalização constante com uma equipe permanente. Hoje trabalhamos só atendendo denúncias, afirmou. No entanto, a secretaria não consegue atender a todas as reclamações que chegam, uma média de oito por dia. O secretário afirmou que a comunidade também precisa ajudar a fiscalizar.
A dona de casa Jovina Cândida Cotrin, moradora da zona norte, já faz este trabalho. Ela vigia o terreno em frente à sua casa e impede que carroceiros despejem lixo no local. Mesmo assim, quando ela não está em casa, pessoas, que vêm de todos os lugares, jogam todo tipo de lixo. Jovina disse que cansou de reclamar providências junto à prefeitura e hoje, junto com a associação de moradores, está cuidando do lugar que já foi cemitério de animais.


