Fundos de vale e terrenos públicos viram 'lixeiras'
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segunda-feira, 09 de abril de 2001
Érika PelegrinoDe Londrina 
A quantidade de terrenos baldios e fundos de vale que se transformam dia a após dia em depósitos de lixo é alarmante em Londrina. A reportagem da Folha percorreu alguns pontos críticos e constatou um grande número de lixeiras espalhadas pela cidade. A Companhia Municipal de Transporte e Urbanização (CMTU) não tem um mapeamento concluído, mas segundo dados da assessoria de imprensa da Companhia, a estimativa é de que 70% dos 84 fundos de vale são ocupados por todo tipo de resíduos sólidos.
A situação é considerada gravíssima também nos terrenos públicos, de acordo com a assessoria de imprensa, embora não haja ainda uma quantificação. As regiões mais críticas são a leste e a oeste, onde 80% dos terrenos baldios são utilizados pela população como depósito de lixo.
Numa análise global da cidade, este índice cai para menos de 50%. A CMTU iniciou um mapeamento para identificar e quantificar todas as lixeiras, o trabalho deverá ser concluído até julho, segundo informação da assessoria de imprensa da CMTU.
O problema é antigo em Londrina e já foi denunciado pela Folha em outubro do ano passado, no final do mandato do ex-prefeito Antonio Belinati. A assessoria de imprensa afirma que sem recursos e com maquinários sucateados, a CMTU tem se restringido a fazer a roçagem dos terrenos públicos. O lixo amontoado a céu aberto não tem sido retirado por falta de pá-carregadeira.
A única pá-carregadeira em funcionamento está sendo utilizada na Central de Moagem e na Central de Galhos. Para realizar o serviço de retirada dos resíduos sólidos dos locais públicos seria preciso pelo menos mais três máquinas, de acordo com a assessoria de imprensa. Apesar de lentamente, o maquinário da CMTU tem sido consertado. Hoje a companhia conta com dois tratores agrícolas, 26 roçadeiras costais e três microtratores, além da pá-carregadeira. No início da gestão eram apenas 12 roçadeiras, dois tratores agrícolas e um microtrator.
A falta de cuidado da população também é um dos grandes responsáveis pelas lixeiras a céu aberto. Moradores do Jardim Santa Fé, zona leste, deixam o lixo em frente de casa. Castorina Aparecida dos Santos, 49 anos, procura ser cuidadosa com o lixo que produz, mas admite que quando é pouco opta por queimá-lo na porta de casa mesmo.
Quando tem muito lixo peço para meu filho jogar em um terreno longe daqui, afirma. Segundo ela, muitos moradores levam o lixo para locais mais afastados e o despejam em qualquer terreno, normalmente ao lado da pedreira que fica próxima do bairro.
Outros moradores preferem colocar seu lixo em sacos plásticos e levar poucos metros a frente, no asfalto, para ser coletado pelo caminhão de lixo. Em alguns locais, como no Jardim Monte Cristo, zona leste, é possível ver uma grande extensão de lixo jogado a céu aberto.
Uma lixeira formou-se na Rua Ernesta Galvani dos Santos de onde exala um forte mau cheiro. Andréia da Silva, 17 anos, conta que diariamente chegam carroças com todo tipo de lixo, desde doméstico até animais mortos, que são descarregadas no local. À noite o mau cheiro é insuportável, inclusive a quantidade de mosquitos que aparecem.
Ela afirma que outro problema grave são as crianças que brincam no local em meio ao lixo. Entulho de construção civil, vasos sanitários, sofás, garrafas plásticas, pneus velhos, latas e todo tipo de resíduo sólido são encontrados em diversos depósitos de lixo espalhados por toda a cidade.


