Fundos de vale e terrenos baldios estão se tornando endereço fixo da dengue em Londrina. Mato alto, lixo e entulhos deixados pela população nestas áreas têm formado um cenário ideal para a proliferação da Aedes aegypti. Prova disso é que 70,76% dos focos do mosquito transmissor da doença foram encontrados nestes espaços, conforme resultado do Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Liraa), divulgado essa semana pela prefeitura. A reportagem da FOLHA visitou algns destes pontos e constatou a gravidade da situação.
Localizado na Região Central, o fundo de vale da Nilo Cairo, Jardim Paulino, concentra o maior índice de infestação do mosquito da dengue. ''De 24 focos analisados, 17 estavam contaminados com larvas do Aedes aegipti'', enfatizou o coordenador municipal de Endemias, Elson Belisário. No bairro, popularmente conhecido como Cantinho do Céu, os entulhos não ficam restritos aos terrenos baldios. Até o muro da escola se tornou depósito de lixo a céu aberto.
A poucos quilômetros dali, o fundo de vale que fica na Rua Ângelo Vicentin, Jardim Santa Mônica (Zona Norte), registrou nove pontos com proliferação do mosquito da dengue de um total de 14 focos pesquisados. A dona de casa Juliana Pedro diz que os próprios moradores do bairro costumam jogar lixo no local. ''A maioria dos moradores não tem consciência do risco que a dengue representa'', afirma ela, ressaltando que duas irmãs e uma sobrinha dela que também moram no bairro já foram contaminadas pela dengue.
A aposentada Rita Corrêa de Deus se tornou uma espécie de guardiã do fundo de vale que fica em frente à sua casa, na Avenida João Nicolau, localizada no Jardim Tókio. ''Antigamente muita gente depositava lixo aqui, mas de tanto eu chamar a atenção as pessoas deixaram de fazer isso'', afirma. Entretanto, alguns metros adiante é possível se deparar com vários montes de entulho jogados em uma área não habitada. De acordo com a Vigilância Epidemiológica, de 35 focos de dengue encontrados no local, 2 estavam contamidos com larvas.
Já no fundo de vale que fica na Rua Turquia, no Jardim Santo Paulo (Zona Sul), não é o lixo e nem o mato alto que tem favorecido a proliferação do Aedes aegypti. São os entulhos das casas de antigos moradores que foram demolidas pela prefeitura depois que as famílias foram transferidas para residências construídas pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida. ''Demoliram as casas, mas deixaram os entulhos. Agora tem vasos sanitários, restos de móveis e até poços artesianos abertos que se transformaram criadouros do mosquito da dengue. Isso aqui está um perigo'', reclama o aposentado Fadlo Sayun.

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Fundos de vale acumulam focos de dengue
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