A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) corre contra o tempo para fechar, até o próximo dia 3, o plano de trabalho do projeto de revitalização do fundo de vale do Conjunto Ernani Moura Lima (Zona Leste de Londrina). De acordo com a assessora da Sema, Maria Aparecida Zanatta, nesta data vence o prazo para a confirmação da efetividade do convênio com o Ministério do Turismo, que, via Caixa Econômica Federal (CEF), irá repassar R$ 200 mil para as obras. A contrapartida do município será de R$ 40 mil.
''Depois da apresentação do plano, fecharemos os projetos e a obra poderá ser licitada'', afirma Zanatta. Os recursos federais foram obtidos através de uma emenda parlamentar. O presidente do Conselho Comunitário da Zona Leste, Geraldino Batista do Nascimento, cita que a revitalização do fundo de vale do Ernani Moura Lima é uma reivindicação da comunidade da região desde o início dos anos 80.
Em 1999, o Clube de Engenharia e técnicos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) chegaram a traçar um projeto, orçado em pouco mais de R$ 180 mil, para recuperar a área, mas faltou dinheiro para a execução. Quando os R$ 200 mil do Ministério do Turismo foram anunciados, em maio, o projeto não pôde ser reaproveitado porque muitas de suas diretrizes entravam em desacordo com a nova lei federal de impacto ambiental.
Um novo planejamento já estava sendo feito pela Sema e pela Secretaria Municipal de Obras. De acordo com Nascimento, o fundo de vale terá pista de caminhada, ponte de madeira, iluminação e árvores frutíferas e, nas cercanias, serão construídos um parquinho e um mirante. A área de lazer beneficiaria diretamente a população de seis bairros da região, superior a 20 mil pessoas.
De acordo com o secretário geral do Conselho, Jurandir Rosa, a idéia é, no futuro, quando houver mais dinheiro, construir um complexo com lago artificial, a exemplo do que está sendo feito na Zona Norte. Hoje, o fundo de vale do Ernani Moura Lima é alvo constante de despejo de lixo. ''As pessoas com menos consciência jogam sujeira. Já foi constatado que oito esgotos clandestinos desembocavam no córrego (Barreiro)'', diz Nascimento.
Segundo João Batista Moreira Souza, assessor da Sema, Londrina possui cerca de 80 fundos de vale em sua área urbana. Ele cita que praticamente todos são alvo de alguma degradação devido à ação do homem, embora casos mais graves sejam minoria. ''As galerias de águas pluviais desaguam nos fundos de vale, muitas vezes trazendo poluição. Além disso, essas áreas sofrem constantemente com despejo de lixo e de resíduos da construção civil'', aponta o assessor.
As invasões são outro problema grave: segundo dados da Companhia de Habitação da cidade (Cohab-Ld), atualmente existem 27 ocupações em fundos de vale em Londrina, nas quais moram cerca de 2.200 famílias. Segundo o presidente da Cohab-Ld, Carlos Eduardo de Afonseca e Silva, a prefeitura deve entregar 1.500 casas populares construídas com recursos federais até o final do ano, o que irá amenizar a demanda de habitação regular no município.

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