Fundo de vale recebe força-tarefa de limpeza
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sábado, 23 de julho de 2005
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Caminhões e mais caminhões de lixo deveriam ser retirados ontem de uma área de fundo de vale invadida no Jardim Santa Fé (Zona Leste de Londrina). Segundo moradores, essa foi a primeira vez em cerca de 15 anos que os quintais dos 65 barracos e as margens e o leito do Córrego Água das Pedras recebeu uma força-tarefa de limpeza do município.
Isso foi uma benção, comemorou a catadora de papel Édna da Silva Gusmão. Se eu for sincera, tenho que dizer que isso aqui não é uma vida boa para a gente. Vivendo há mais de 15 anos no local, ela contou que a sujeira se acumulou em maior quantidade porque a empresa que faz a coleta de lixo no bairro deixou de recolher boa parte daquilo que os moradores deixavam nas ruas. Os moradores, então, decidiram queimar o lixo mas também foram impedidos. Só há pouco tempo a empresa de coleta voltou a fazer o recolhimento.
Ela disse que como boa parte dos moradores trabalha com reciclagem de forma independente, o lixo que não é vendido acaba se acumulando no local. O ideal, segundo Edna, seria a colocação de caçambas para receber esse material. Nós fazemos o que gostamos e eu, por exemplo, não quero entrar numa ONG (de reciclagem). O melhor seria colocar caçambas, pediu.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), João Verçoza, confirmou que a empresa responsável não vinha fazendo a coleta de todo o lixo do bairro, mas já foi orientada sobre essa deficiência. Ele disse ainda que será preciso um trabalho de conscientização junto aos catadores independentes para que não continuem jogando no córrego o que não conseguem vender. Um terceiro passo seria aglutinar esses catadores em uma ONG para que todos contribuissem com a conservação e preservação do fundo de vale. Agentes de saúde e da Vigilância Sanitária também estiveram no bairro entregando panfletos educativos sobre como combater o mosquito da dengue.
Quanto à regularização das habitações irregulares, a Cohab admitiu que não existem estudos em andamento que contemplem a retirada de todos os moradores. O que tem sido feito são retiradas isoladas de algumas famílias que conseguem ser incluídas nos Planos de Subsídio Habitacional, como aconteceu em um conjunto construído na Zona Sul.


