Fundo de vale é motivo de briga entre moradores
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Uma área de fundo de vale do Córrego Saltinho, no Jardim Tarobá (Zona Sul de Londrina), virou motivo de discórdia. Um morador vizinho obteve autorização para reflorestar mas decidiu cercá-la. Ao lado, a associação dos moradores foi autorizada a fazer um aterro que servirá como área de lazer. O problema é que a terra teria invadido parte do trecho a ser reflorestado. Ontem, a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) teve de intervir para acabar com as divergências.
O funcionário público Mauro Rodrigues da Cruz reside no fundo de vale e em maio de 2003 conseguiu uma autorização da Sema para reflorestar uma área de 9,3 mil metros quadrados na margem esquerda do Córrego Saltinho. O trecho teve praticamente toda a mata ciliar derrubada e ele pretendia plantar pelo menos duas mil mudas de espécies nativas. Ele cercou o trecho mas o plantio, segundo a própria Sema, teria ocorrido apenas a partir de abril deste ano quando a associação de moradores começou a aterrar um terreno vizinho, doado por um empresário, para construir um campo de futebol e uma pista de caminhada.
Ontem pela manhã, quando uma máquina da Prefeitura trabalhava no local, houve discussão. Cruz alegava que a associação não estaria respeitando o recuo de 47 metros a partir da margem do rio. Já o presidente da associação, Aparecido Ferreira Ramos, acusou Cruz de estar usando a área em benefício próprio, alugadando como pasto e permitindo a proliferação de carrapatos.
O diretor-técnico da Sema, Marcos Vinícius Terssariol, mediu o trecho e constatou que estavam sendo respeitados os 47 metros previstos. Ele afirmou que a construção do aterro seria regular, mas que a associação terá que plantar grama para evitar erosão. Já Cruz, que garantiu não explorar economicamente a área, foi orientado a fazer o plantio das mudas, como havia se comprometido. Caso contrário, ele poderá ter suspensa a autorização para o reflorestamento.
As 93 áreas de fundo de vale da cidade sofrem, principalmente, com a ocupação irregular e com o despejo de entulhos. Segundo Anne Christina Hiltel, assessora da Sema, foi criado um grupo para fazer um levantamento da situação real dessas áreas e buscar o apoio essencial da comunidade para recuperar esses espaços. ''A comunidade tem que abraçar e colaborar, porque senão não adianta'', apontou. Uma ação concreta ocorre hoje, em comemoração ao Dia da Árvore. Estudantes farão o plantio de 500 mudas no Vale dos Tucanos, próximo à barragem do Lago Igapó.


