Uma área de fundo de vale do Córrego Saltinho, no Jardim Tarobá (Zona Sul de Londrina), virou motivo de discórdia. Um morador vizinho obteve autorização para reflorestar mas decidiu cercá-la. Ao lado, a associação dos moradores foi autorizada a fazer um aterro que servirá como área de lazer. O problema é que a terra teria invadido parte do trecho a ser reflorestado. Ontem, a Secretaria Municipal de Ambiente (Sema) teve de intervir para acabar com as divergências.
O funcionário público Mauro Rodrigues da Cruz reside no fundo de vale e em maio de 2003 conseguiu uma autorização da Sema para reflorestar uma área de 9,3 mil metros quadrados na margem esquerda do Córrego Saltinho. O trecho teve praticamente toda a mata ciliar derrubada e ele pretendia plantar pelo menos duas mil mudas de espécies nativas. Ele cercou o trecho mas o plantio, segundo a própria Sema, teria ocorrido apenas a partir de abril deste ano quando a associação de moradores começou a aterrar um terreno vizinho, doado por um empresário, para construir um campo de futebol e uma pista de caminhada.
Ontem pela manhã, quando uma máquina da Prefeitura trabalhava no local, houve discussão. Cruz alegava que a associação não estaria respeitando o recuo de 47 metros a partir da margem do rio. Já o presidente da associação, Aparecido Ferreira Ramos, acusou Cruz de estar usando a área em benefício próprio, alugadando como pasto e permitindo a proliferação de carrapatos.
O diretor-técnico da Sema, Marcos Vinícius Terssariol, mediu o trecho e constatou que estavam sendo respeitados os 47 metros previstos. Ele afirmou que a construção do aterro seria regular, mas que a associação terá que plantar grama para evitar erosão. Já Cruz, que garantiu não explorar economicamente a área, foi orientado a fazer o plantio das mudas, como havia se comprometido. Caso contrário, ele poderá ter suspensa a autorização para o reflorestamento.
As 93 áreas de fundo de vale da cidade sofrem, principalmente, com a ocupação irregular e com o despejo de entulhos. Segundo Anne Christina Hiltel, assessora da Sema, foi criado um grupo para fazer um levantamento da situação real dessas áreas e buscar o apoio essencial da comunidade para recuperar esses espaços. ''A comunidade tem que abraçar e colaborar, porque senão não adianta'', apontou. Uma ação concreta ocorre hoje, em comemoração ao Dia da Árvore. Estudantes farão o plantio de 500 mudas no Vale dos Tucanos, próximo à barragem do Lago Igapó.

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