Fundo centralizará
captação de recursos
não-governamentais

Marcelo AlmeidaAberturaAntunes: ‘‘UFPR tem uma potencialidade muito grande nas mais diversas áreas e não coloca isso na mesa’’Assessoria de
Comunicação Social
vai planejar o
marketing da Federal
Folha - Como será feita a captação de recursos externos?
Carlos Antunes - Atualmente, a universidade já faz isso, mas não de forma institucionalizada. Esse é um compromisso de nossa gestão, no sentido de que a universidade possa ganhar com isso. Que um percentual dessa captação venha para um fundo acadêmico, para ser aplicado nas áreas que têm mais dificuldades de captação de recursos. Vamos dar um fim coletivo ao processo de captação de recursos. Vejamos o caso da Filosofia, que é um área fundamental, onde é difícil captar recursos. Por meio desse fundo a ser criado, essas áreas passarão a ser melhor atendidas.
Folha - Quais são as áreas que têm maior facilidade para fazer dinheiro?
Arquivo FolhaAntunes quer criar o Memorial da UFPR, no edifício central da universidade, na Praça Santos Andrade
Carlos Antunes - Elas variam. Depende das tendências do mercado em geral. Hoje a demanda de professores de Espanhol é bastante grande aqui, em função do Mercosul. Temos no setor de Humanas o Centro de Línguas, que oferece cursos para a comunidade e não consegue absorver o número de demandas. Abrimos no ano passado um curso de Latim para adolescentes. Logo depois tivemos de abrir a segunda turma. Realmente, é uma demanda muito forte. Estamos ensinando Português para os franceses da Renault e para outros estrangeiros. Temos um grupo bem qualificado. Hoje, o Centro de Línguas está cobrando R$ 190,00 por um semestre, valor bem abaixo do praticado pelo mercado. Mesmo assim, o Centro de Línguas é uma das unidades que mais geram recursos para a universidade. Eles tem convênio com a Fundação da Universidade (Funpar), sendo responsáveis pela sétima captação de recursos da Funpar.
Folha - A universidade tem atualmente muitas parcerias?
Carlos Antunes - Perdemos muitas parceiras, com relação ao social. A universidade tem uma potencialidade muito grande nas mais diversas áreas e não coloca isso sobre a mesa. As parcerias são importante para a universidade, mas sempre preservando o princípio de permanecer gratuita e pública. Ela tem todas as potencialidades de se inserir mais na comunidade. Na saúde, por meio do Hospital de Clínicas e de outros serviços. Na área tecnológica, agora começa a despontar. Na Geologia há um processo de captação de recursos muito interessante. Quase todos os professores estão envolvidos. Nisso, há um fundo que reverte para o departamento de Geologia. O departamento de Mecânica, com seus doutores, é uma área muito demandada. Temos boas condições de fazer parcerias. Mas é preciso institucionalizar isso. Hoje os recursos que chegam de fora são com os professores e a empresa, e não passam pela universidade.
Folha - Será criada alguma vice-reitoria de marketing ou algo do gênero?
Carlos Antunes - Vamos estimular a própria Assessoria de Comunicação Social da Universidade a fazer esse papel. Será ela que vai planejar o marketing da Federal, possibilitando a realização de convênios que o mercado demande. Hoje há instituições privadas que conseguem formalizar acordos de treinamento, mas buscam professores da Federal para ministrar as aulas. Com isso, quem fica com a maior parte dos recursos são eles.
Folha - Mas essa corrida por meio de acordos com as empresas não chega tarde, já que a universidade perdeu tempo para formalizar os acordos, por exemplo, com as montadoras de automóveis?
Carlos Antunes - Estivemos ausentes. Mas, por outro lado, uma boa parte da sociedade desconhece o valor da universidade. Esquecem que somos a Universidade Federal do Estado do Paraná. Somos vistos pela comunidade apenas na época do vestibular e da formatura. Acho que ao longo dos 86 anos de existência a universidade tem contribuído decisivamente com o Paraná. Ela tem apresentado projetos, pesquisas de ponta e tem formado os principais nomes nas áreas científica, tecnológica e cultural, além de quadros políticos de renome. Mas não existe um retorno deles para com a universidade. Desde 1912 o Victor do Amaral já cobrava ajuda do governo e da prefeitura, porque os proveitos intelectuais, morais e materiais eram enormes para eles. Esse pedido, que vem desta época, mostrava como a universidade era importante. A universidade sempre deu o melhor de si, sem pedir nada em troca, mesmo sendo uma usina que abastece as universidades privadas com profissionais qualificados. Isso tudo sem receber auxílio dos governantes.
Folha - A comunidade é toda ingrata, afinal, à exceção de grupos como a Associação dos Amigos do HC?
Carlos Antunes - Não é ingratidão, mas não há uma consciência do papel da universidade. E se não existe esta consciência, vamos tentar avivá-la. Quero mostrar, ao governador, ao prefeito e à comunidade a importância da Federal. Afinal, todos eles passaram pela universidade pública. O governador Jaime Lerner é professor licenciado do curso de Arquitetura.
Folha - E o que deve ser feito?
Carlos Antunes - Teremos uma reunião com o governo estadual e a prefeitura para discutir que programas a universidade pode criar em parceria com o Estado. O governador está agendando essa reunião. Em maio, vamos com o governador e a bancada federal ao Ministério da Educaçãopara reivindicar melhores condições. Agora é mais importante do que nunca que a universidade apresente propostas. Deve-se aproveitar esta mudança de paradigmas no Paraná, que transforma a nossa base econômica de agroindustrial para industrial. Precisamos ajudar no salto de qualidade do Paraná. Queremos mostrar que podemos alimentar a comunidade.

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