De acordo com o Enade, o melhor curso de Direito do Paraná está entre as montanhas que formam o bucólico cenário do Norte Pioneiro do estado, em Jacarezinho.
No exame, os alunos da Faculdade Estadual de Direito do Norte Pioneiro (Fundinopi) colocaram a instituição no seleto grupo das quatro do Brasil que, além da nota conceitual cinco, também obtiveram nota máxima em outro índice, que compara o desempenho de estudantes concluintes em relação aos resultados obtidos, em média, por alunos de outras instituições com perfis parecidos.
Também faz parte desse índice o cálculo da diferença do desempenho obtido pelos concluintes do curso em relação a um desempenho estimado para esses mesmos alunos.
O resultado pode surpreender quem imagina que os melhores cursos estão nas universidades das grandes cidades, mas não espanta quem conhece o histórico de sucesso da faculdade nas avaliações do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Entre 1996 e 2003, quando as instituições de ensino superior do Brasil eram avaliadas por meio do ''Provão do MEC'', a Fundinopi sempre conquistou o conceito ''A'', ou seja, a melhor avaliação possível. Além disso, a faculdade conquistou recentemente, pela terceira vez, o selo de qualidade da Ordem dos Advogados do Brasil (veja info nesta página).
Diante de tantos dados positivos, torna-se impossível não questionar qual é o segredo do sucesso dessa instituição, nascida na década de 1960, pela iniciativa de promotores e advogados de Jacarezinho, instituída pelo governo estadual em 1967 e, atualmente, integrante da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp), fundada em 2006.
A resposta está na ponta da língua do diretor da Fundinopi, professor Jaime Domingos Brito. ''Não existe um segredo específico. Essa instituição foi criada com um ideal de cooperativismo, que, de certa forma, ainda persiste. Os primeiros alunos que estudaram aqui assumiram o compromisso de continuar colaborando com a escola e até hoje é assim''.
''Além disso, há uma grande interação entre o corpo docente, discente e administrativo'', ressalta o professor, ele mesmo um exemplo de colaboração de um ex-aluno com a escola. ''Me formei aqui em 1978'', revela.
Atualmente, mesmo com autorização para abrir mais turmas, a Fundinopi recebe apenas 70 alunos de graduação e 12 de mestrado por ano. Tudo em nome do planejamento financeiro. Nos vestibulares, a média de disputa fica entre 18 e 25 candidatos por vaga. No mestrado, a concorrência é de cinco por um.
''Nossas vagas são disputadas por gente de todo o Brasil. No caso do mestrado, os alunos contribuem com o curso de graduação por meio do estágio de docência. Outra coisa interessante é a área de concentração do nosso mestrado, que trabalha com teoria de justiça e exclusão social. Temos, inclusive, convênios internacionais com Portugal e Inglaterra, que enviam professores para lecionar em nossa escola'', relata Brito.
No momento, junto com outras quatro faculdades do Norte Pioneiro, a Fundinopi vive o desafio de formar a Uenp, um antigo anseio daquela região. ''Para nós, será um tremendo desafio crescer e manter a qualidade, mas fazer parte de uma universidade é necessário e importante para que possamos alavancar recursos financeiros e investir em ensino, pesquisa e extensão. Mesmo se criando a universidade, há um respeito à história e à individualidade de cada instituição. Estou empolgado com o novo projeto'', conclui Jaime Domingos Brito.(W.S.)

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