Fundição é acusada de poluir ambiente
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segunda-feira, 25 de agosto de 1997
Elisa Marilia 
Curitiba
Kraw PenasSujeiraA Sul Ligas funciona em Quatro Barras. No detalhe, Maria da Luz, vizinha da fábrica: duas vacas e um cavalo mortosA fundição de chumbo Sul Ligas, que funciona no município de Quatro Barras, Região Metropolitana de Curitiba, está sendo acusada pelos vizinhos de poluir o meio ambiente e de já ter causado a morte de dezenas de animais por intoxicação com chumbo.
Apesar da polêmica entre os moradores do local e o arrendatário do terreno, Luiz Paschoal de Souza, o engenheiro João Carlos Rompkoski, do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), diz que não tem conhecimento de denúncias.
O local não tem condições de trabalho adequadas, afirma o engenheiro Ricardo Carneiro Antônio, do Centro Metropolitano de Apoio à Saúde do Trabalhador. A fumaça de chumbo, depois de aquecida, é inalada pelos funcionários. Quatro estão afastados e são acompanhados pela Promotoria de Defesa da Saúde do Trabalhador, completa. Antônio esteve no local acompanhado de representantes do Sindicato dos Metalúrgicos do Paraná e da Vigilância Sanitária do município.
Durante a fiscalização, que ocorreu no início do ano, os técnicos reconheceram que as condições de trabalho não eram boas. Um processo foi encaminhado ao Ministério Público para que fosse instaurada uma ação civil pública. Concluímos que há necessidade de proteger o local com filtros. Máscaras individuais não são suficientes. Devemos voltar à fábrica em alguns dias e, se não for tomada nenhuma providência, provavelmente sugeriremos a interdição da fábrica, disse Antônio.
A Sul Ligas trabalha com sucata de baterias. Todas as partes de borracha são separadas e recicladas. O restante vai para o forno com outros reagentes. O produto final são lingotes de chumbo. Estamos desativando este local, por ser arrendado. Devemos nos mudar até dezembro para uma área industrial aqui mesmo em Quatro Barras, defendeu-se o proprietário da Sul Ligas.
Luiz Paschoal de Souza garante que tem filtros instalados no local. Para ele, as máscaras individuais são suficientes para proteger os empregados. O afastamento de funcionários é normal. Acontece em todas as fundições. Temos 27 funcionários e uma média de 10% afastados. Fazemos o acompanhamento médico de todos os empregados, garante Souza. Ele admite que não gostaria de morar perto de uma indústria, mas critica a perseguição do sindicato e afirma que há outras fábricas muito piores.


