Fundadora da Limiar nos EUA estará em Curitiba
Luciana Pombo
De Curitiba
A fundadora e diretora da empresa norte-americana Limiar S.A., uma organização não-governamental que trabalha com adoção de crianças brasileiras por famílias americanas, Nancy Lee Cameron, chegou ontem ao Brasil e deverá estar em Curitiba na próxima sexta-feira. Ela irá prestar depoimento no Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) e pretende entrar em contato com a Comissão Estadual Judiciário de Adoção (Ceja) do Paraná. Na bagagem, Nancy estaria trazendo diversas documentações que comprovariam as atividades legais da empresa na intermediação de adoções internacionais.
Recentemente, a Limiar foi acusada de participar da comercialização de crianças brasileiras no exterior, expondo fotografias na Internet e cobrando de US$ 5,5 mil a US$ 8 mil por adoção. Nancy Cameron nega as acusações e diz que tem documentos e declarações dos últimos três anos e que comprovariam que a organização gasta completamente a receita arrecadada com doações (segundo ela, voluntárias) em atividades de adoção e apoio a crianças em orfanatos brasileiros. Ela também deverá apresentar as estimativas de custos do processo de adoção para famílias norte-americanas, com passagens de avião, hotel, traduções, entre outros gastos da Limiar. Fitas de vídeo e cartas de crianças brasileiras que vivem nos Estados Unidos e Canadá também deverão fazer parte da documentação que será apresentada em Curitiba, no Sicride e na Ceja.
O delegado do Sicride, Harry Herbert, disse que todos os documentos apresentados pela empresa até agora foram analisados e encaminhados para a Polícia Federal e para a Interpol. Pelo que percebi, se houve crime, ele não ocorreu no Brasil, disse o delegado. Mesmo assim, as investigações continuarão.
Herbert solicitou uma relação da Ceja de todos os institutos que trabalham com a intermediação de adoção de crianças brasileiras por famílias estrangeiras. Vou chamar de um por um para ter o controle total de todas estas entidades, afirmou.
Ontem, a reportagem da Folha acessou a página da Internet da Ceja do Paraná e constatou que, apesar de ter sido descredenciada, a Limiar S.A. ainda estava com o nome e o endereço na listagem de instituições que trabalham na intermediação de adoção de crianças brasileiras no exterior.





