Membros da Fundação São Camilo, de São Paulo, especializada em administração hospitalar, estão realizando uma consultoria para a Prefeitura de Cascavel com o objetivo de encontrar soluções para as instalações do Hospital da Criança e do Pronto-Socorro Municipal que permanecem fechados desde dezembro quando foram inaugurados. Na primeira visita ao local o grupo, formado por dois diretores da Fundação e dois arquitetos, observou que a edificação não oferece as mínimas condições para abrigar um hospital para crianças e um pronto-socorro, simultaneamente.
Fabrizio Rosso, membro da Fundação, explica que não podem ser divulgadas informações detalhadas sobre a consultoria, mas adianta que algumas irregularidades foram constatadas. Ele acrescenta que entre os principais problemas estão a falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de um centro cirúrgico e de uma lavanderia. ‘‘Fica muito difícil administrar e prestar atendimento em um hospital sem uma UTI ou um centro cirúrgico’’, completa.
Rosso afirma que a proximidade com o Parque de Máquinas inviabiliza o funcionamento do hospital, pois o barulho provocado pelas máquinas poderia prejudicar a recuperação dos pacientes. Ele diz que os consultores estarão levando em consideração a distância com o Hospital Universitário (HU), que já possui uma estrutura capaz de atender à área infantil. ‘‘Os dois hospitais estão localizados a menos de 1 km e isso será levado em consideração, pois o HU tem uma boa estrutura infantil’’, ressalta.
Uma nova reunião entre membros da comissão municipal, que também busca alternativas para o hospital, representantes da Fundação São Camilo e os arquitetos ficou marcada para o dia 2 de maio, em São Paulo. O diretor da Fundação adianta que será apresentado um projeto aos membros da comissão constando as avaliações realizadas e as sugestões de funcionamento para a estrutura.
Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde, Laerson Matias, da maneira como foi projetado, o hospital só poderia prestar atendimentos de baixa complexidade, como torções, crises respiratórias e renais. ‘‘Assim, não estaríamos alcançando os objetivos necessários, que nortearam a construção’’, observa.
Segundo Laerson, algumas sugestões já foram apresentadas durante as reuniões da comissão, dentre as quais a transformação do local em uma Unidade Básica de Saúde com atendimento 24 horas, pronto atendimento infantil ou pronto atendimento para adultos e crianças. ‘‘Todas as sugestões estão sendo analisadas criteriosamente e deverão ser divulgadas até o dia 14 de maio’’, disse.
Por sua vez, o presidente da comissão municipal, médico Edimar Ulzefer, reafirmou que, para a obra funcionar atendendo aos objetivos primários, serão necessárias três etapas. ‘‘Temos que reformular a obra, derrubando várias paredes e levantando outras, construir o necessário para o funcionamento, como centro cirúrgico, setor de esterilização, UTI e lavanderia, e construir uma nova ala para que o hospital possa ser auto-suficiente’’, conclui.

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