Fundação libera clube para atender crianças
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 03 de outubro de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Cerca de 800 famílias paranaenses estão sendo beneficiadas por um programa da Fundação Banco do Brasil que abre a estrutura das AABBs (Associação Atlética Banco do Brasil) para um trabalho sócio-educativo com crianças e adolescentes carentes.
Meninos e meninas fora da escola, sob risco de cair na marginalidade, desmotivados pela repetência ou por notas baixas, estão ganhando uma nova chance de progredir e recuperar a auto-estima com aulas de natação, futebol, vôlei, teatro, música e artes plásticas, em um reduto quase exclusivamente voltado ao lazer de frequentadores da classe média.
No local, também são oferecidos reforço em matemática e português; esclarecimentos sobre Aids, drogas, a importância da cidadania e dos hábitos de higiene. As crianças e adolescentes também contam com acompanhamento clínico e fornecimento de medicamentos.
O trabalho multidisciplinar, que na prática acaba oferendo ensino integral a matriculados na rede pública, é obra do AABB Comunidade, premiado em maio como melhor programa social do País pela Associação de Dirigentes de Marketing e Vendas do Brasil.
Este ano, oito municípios do Estado estão integrados a este mutirão que envolve prefeituras, empresas, a Fundação Banco do Brasil e a Federação Nacional das AABBs. Cambará, Assaí e Santa Cecília do Pavão (no Norte); Coronel Vivida e Dois Vizinhos (Sudoeste); Laranjeiras do Sul (centro-oeste); e Ponta Grossa estão com a experiência consolidada e prontas para ampliação.
Outras 303 comunidades espalhadas pelo Brasil também estão sendo beneficiadas. O programa começou com experiências isoladas de presidentes de AABBs em diversas regiões do País e ganhou força a partir do envolvimento da Fundação Banco do Brasil (FBB) gerenciadora e principal financiadora em 1996.
Considerado barato aproximadamente R$ 500,00 de investimento anual para cada matriculado o programa terá investimentos de R$ 24 milhões este ano (em 1999, foram R$ 13 milhões). Criou mais de 3 mil postos de trabalhos na área de educação e aproveitou quadras, piscinas, campos e salões das AABBs, que antes ficavam vazios nas manhãs e tardes durante a semana.
Segundo a assessoria de imprensa da FBB, o crescimento acelerado do número de beneficiados comprova o sucesso da iniciativa. De 1999 para 2000, o número de menores beneficiados saltou de 29.682 para 42.794.
O conteúdo pedagógico do AABB Comunidade foi elaborado pelo Núcleo de Trabalhos Comunitários da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo. Após a análise e aprovação de uma comissão em Brasília, a cidade contemplada é visitada por um grupo de educadores da PUC, que prepara os monitores, cujo salário médio é de dois salários mínimos. A meta é manter os menores matriculados no programa até o último ano do ensino fundamental.
Em Cambará (22 km a noroeste de Jacarezinho), dos 80 menores que iniciaram as atividades em maio, apenas seis foram substituídos, todos por não preencher a exigência mínima de frequência. Os que permanecem mostram muita alegria em participar do projeto, diz o gerente da agência do BB local e responsável pela implantação do projeto na comunidade, Antonio Hideraldo Magron, 42 anos.
Segundo ele, os diretores das oito escolas envolvidas estão muito satisfeitos com os efeitos do programa. Quase todos os participantes melhoraram o comportamento, o desempenho nos boletins e até mesmo a aparência e as condições gerais de saúde, comemora Magron.
Os 80 menores, quase todos de bairros cuja a maioria dos moradores são bóias-frias (Vila Santana, Vila Rubim, São José 1 e 2, Gonzaga), são divididos em duas turmas, uma de manhã, outra a tarde. São três horas de atividades, às segundas, terças e quintas-feiras.
Eles receberam um kit com jogos de uniforme completo, remédios, produtos de higiene pessoal e material escolar. As refeições são bancadas pela Yoki, indústria de alimentos que tem uma unidade na cidade (a maior empregadora do município). O clube da AABB ganhou armários, geladeira, TV, videocassete e fogão, além de farta quantidade de bolas e outros equipamentos esportivos.
A coordenação nacional do programa está fazendo uma pesquisa para levantar estatísticas que atestem o avanço social nas famílias dos beneficiados. Em breve, os números devem responder qual o impacto que o seu funcionamento teve na vida destas comunidades e qual as diretrizes que serão adotadas para que o AABB Comunidade seja ainda mais eficiente.


