Funções distorcidas aumentam a tensão
Criado para dar ao Estado ferramentas para restrição da liberdade de menores até que as sentenças fossem definidas, o Ciaadi de Londrina teve suas funções distorcidas há dois anos, quando os adolescentes passaram a cumprir as determinações de internamento nestes centros, ao invés de serem deslocados para as Unidades Sociais Oficiais de internação - os famosos Educandários.
Inicialmente, um adolescente apreendido deveria ser ouvido pela promotoria de Infância e Juventude - em Londrina, sob responsabilidade da promotora Édina Maria de Paula. Após esta etapa, se determinado o julgamento, o adolescente seria encaminhado para o Ciaadi, onde esperaria até 45 dias pela sentença. Depois disso, seria libertado, encaminhado para trabalhos voluntários à comunidade ou para centros de regime de semi-liberdade. Em último caso, o destino do infrator seria um Educandário.
A superlotação das unidades de internamento, no entanto, obrigou o Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp) a utilizar, desde 2002, os Ciaadis do Estado como centros de cumprimento das sentenças. Com isso, um espaço projetado para abrigar menores infratores por 45 dias passou a suportar adolescentes por até três anos. A partir daí, iniciou-se a série de reclamações.
Do lado dos educadores, responsáveis pela manutenção e funcionamento de toda a rotina do Ciaadi, as críticas são direcionadas ao comprometimento da proposta do Centro. ''Não há mais tempo para a realização de atividades com os menores. Não conseguimos nos concentrar nos serviços educativos. Não podemos nos dedicar ao atendimento dos adolescentes. Tudo isso porque temos que nos preocupar com a segurança do prédio'', explica um dos educadores. ''Eles sabem que deveriam ficar somente 45 dias aqui e quando percebem que vão ficar mais, a tensão aumenta muito''.
Aumenta a ponto de mudar o perfil da instituição frente aos próprios funcionários. Antes considerado um lugar seguro e tranquilo, o Ciaadi passou a ser tomado como um lugar onde a tensão é constante. ''Abro uma cela de um dos menores e já espero por uma agressão'', conta outro educador. Rebeliões e até invasões já foram enfrentadas pelos servidores do Centro. Tudo para manter os menores em um lugar onde eles não deveriam estar.





