Funcionários têm aula na obra
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segunda-feira, 27 de abril de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Enquanto alguns têm dificuldades para conciliar o trabalho e a escola, outros contam com apoio do patrão para retomar a rotina da sala de aula. Este é o caso de um grupo de dez funcionários de uma construtora de Londrina. Quatro dias por semana, os trabalhadores deixam a atividade um pouco mais cedo e têm uma hora de aula.
Oportunidade que o operário Rosinaldo César Travassos da Costa, 39 anos, não pensou duas vezes para aproveitar. Uma chance de retomar os estudos, que ele abandonou na terceira série para trabalhar na colheita de laranja. ''Já leio e escrevo. Para mim, o curso não está difícil, não'', afirma o trabalhador, que pretende voltar para a escola quando as aulas na empreiteira terminarem.
O curso, de acordo com o diretor de Recursos Humanos da empresa Aparecido Siqueira, vai durar oito meses e foi pensado inicialmente para alfabetizar os funcionários. Ele destaca que os funcionários não são obrigados a participar e que todos os interessados são atendidos. A turma atual é a segunda montada pela construtora, que pretende formar novos grupos de trabalhadores-estudantes.
Para lecionar, a empresa contratou a pedagoga Maria Cristina Sampaio e montou uma sala de aula numa obra na Gleba Palhano (Zona Sul). Após encerrar o expediente meia hora mais cedo que o normal, os funcionários têm tempo para tomar banho, trocar de roupa e fazer uma lanche, que é oferecido pela própria firma.
Maria Cristina não poupa elogios aos alunos. Para ela, ensinar adultos é gratificante devido ao interesse desmonstrado nas aulas. ''Acredito que o aprendizado vai auxiliá-los até no trabalho. Hoje, até para operar uma máquina o funcionário tem que saber ler'', destaca.
A história do operário Osvaldo Aparecido Serrano, 42, é semelhante à de inúmeros trabalhadores espalhados pelo País. Por ter começado a trabalhar muito jovem, fez até a quarta séria do antigo primário. E hoje sente falta do estudo para progredir na profissão e buscar novas alternativas de sustento. Para isso, ressalta, saber ler e escrever é fundamental. ''Sou jardineiro. Tenho que estudar para poder tirar a carteira de motorista. Como tenho uma kombi, vou poder pegar serviço nesses bairros que têm mansões'', planeja.


