Foz do Iguaçu
Funcionários da Fazenda Mitacoré, localizada entre São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu (no Extremo-Oeste do Estado), denunciaram à Polícia Civil que estão sendo ameaçados pelos sem-terra acampados ao lado da propriedade há dois meses e meio. Segundo o administrador da fazenda, Jair Antônio Ruhoff, os sem-terra estão impedindo o plantio de soja na propriedade.
Ruhoff disse que, anteontem à tarde, um grupo de onze homens que se identificou como ‘‘representante’’ do acampamento ‘‘expulsou’’ quatro funcionários que faziam o plantio de soja em uma área de 120 hectares. ‘‘Eles disseram que iam assumir todas as atividades de campo da fazenda (menos a sede) e que se o pessoal não saísse por bem, sairia por mal’’, afirmou.
Segundo o administrador, o prazo para o plantio da soja termina no final de novembro e as sementes podem perder o poder de germinação. A Fazenda Mitacoré pertence ao grupo Bamerindus S/A, que está sob intervenção do Banco Central. A propriedade é considerada modelo na adoção de tecnologia e no desenvolvimento de culturas e já recebeu diversos prêmios de produtividade. De acordo com Ruhoff, apesar de manter o acampamento fora da Mitacoré - à margem da BR-277 - os sem-terra já plantaram em cerca de 500 hectares (quase metade da fazenda, de 1.098 hectares).
Anteontem, Ruhoff prestou queixa contra os sem-terra na Delegacia de São Miguel do Iguaçu. O delegado José Carlos Cruz informou que, para que seja aberto processo, é preciso que os funcionários identifiquem as pessoas que teriam feito as ameaças. O crime de ameaça é previsto no Código Penal e sua pena vai de um a seis meses de detenção.
Ontem, o administrador se reuniu com os prefeitos de São Miguel do Iguaçu, Armando Polita (PMDB), e de Santa Terezinha de Itaipu, Ana Carlessi (PMDB), para pedir a ‘‘intervenção política’’ deles na retirada dos sem-terra da fazenda. Uma ordem de reintegração de posse, expedida pelo juiz Elias Duarte Rezende, da Vara Cível de São Miguel do Iguaçu, no último dia 7, ainda não foi cumprida.
Celso Ribeiro Barbosa, coordenador regional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), confirmou ontem que o grupo ‘‘pediu’’ para os funcionários da fazenda ‘‘se retirarem’’ da área. ‘‘Também temos necessidade de plantar. A Mitacoré é do Banco Central e, portanto, do povo’’, afirmou. Ele negou, no entanto, que os sem-terra tenham ameaçado os funcionários.

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