Maigue Gueths
De Curitiba
Funcionários da Indústria de Panificação Charlotte fizeram uma manifestação, durante todo o dia de ontem em frente ao prédio onde mora uma das sócias da empresa, Mônica Demeterco Lucchesi, no bairro Cabral, em Curitiba. Os 50 empregados prometem não voltar ao trabalho até que tenham uma explicação sobre o futuro da indústria, que já entrou com pedido de concordata em outubro de 99, e vem funcionando precariamente nos últimos meses. Eles reclamam, também, o pagamento dos salários, atrasados há dois meses.
‘‘A empresa não tem matéria-prima em estoque. A gente só tem mercadoria para um dia de venda, e todo dia tem fornecedor querendo receber’’, diz a auxiliar de escritório Zenaide Menezes. Outro que reclama da instabilidade no trabalho é o gerente de produção Antonio Santana Pinto. ‘‘Eles têm que resolver esta situação logo porque indiretamente umas 250 pessoas dependem dos nossos empregos’’, afirma.
Segundo a assistente administrativa Jaqueline Crovador, a Charlotte tem cerca de 50 funcionários, com salário médio de R$ 300,00. A folha de pagamento é de R$ 15 mil, mas caso a empresa chegue a fechar, ela acredita que seriam necessários cerca de R$ 120 mil para pagar as rescisões de contratos.
De acordo com o advogado da indústria, Divonsir Borba Cortes Filho, a empresa tem um passivo de aproximadamente R$ 800 mil, entre dívidas trabalhistas, financeiras e administrativas. A indústria já entrou com pedido de concordata na 4ª Vara de Fazenda Pública, solicitando prazo de dois anos para pagar as dívidas, mas o pedido ainda não foi deferido.
O problema é que Mônica Demeterco, que possui 45% das ações, conseguiu, em novembro, tutelar antecipada na Justiça para sua exclusão da empresa. Agora, os outros três sócios, o ex-marido Carlos Lucchesi, que tem 45% das ações, Francisco Lucchesi e Ulisses Wagner Franco de Godoi, ambos com 5% cada, estão contestando o afastamento na Justiça.
‘‘Ela pediu o afastamento por uma questão de orgulho, só para não dizer que era uma concordatária’’, diz o advogado. Para ele, com a saída de Mônica a empresa corre o risco de ficar sem capital de giro, o que a obrigaria a pedir falência.
Mônica Demeterco também é proprietária do salão de beleza Charlotte Hair. Ontem, ela não foi localizada pela reportagem da Folha.

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