Funcionários já começam a passar por necessidades
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Da Redação 
O servente José Aparecido Mariel, 36 anos, foi abandonado pela esposa com quem vivia há seis anos e diz que foi por causa do atraso dos salários. Ela não acreditou que uma firma como a Encol poderia estar atrasando os salários há tanto tempo. Disse que não podia viver com um homem que não trazia dinheiro para casa, contou.
A família do servente Manoel da Luz, 24 anos - esposa e filho de um ano de idade - corre o risco de ser despejada. A proprietária da casa alugada por R$ 130,00, no conjunto Violin (zona norte), já pediu o imóvel. Há dois meses que não pago o aluguel. Expliquei que a firma também não está pagando meu salário, mas ela fala que precisa do aluguel para viver. A alimentação da família está sendo garantida com os bicos que Manoel consegue fazer.
As contas do servente Benedito Filho, 40 anos, no supermercado e na venda perto da sua casa, em Cambé, foram encerradas. Todo dia vem gente cobrando, e não adianta explicar que a empresa não está pagando a gente. A situação só não é pior porque minha mulher trabalha fora e está conseguindo garantir o básico.
O diretor do Sindicato da Construção Civil Luiz Afonso de Melo garante que histórias como essas são comuns entre os funcionários da Encol. Para quem tem a esposa trabalhando a situação não é tão difícil. Mas a maioria não conta com a mesma sorte. O salário bruto de um servente é em média de R$ 300,00.


