Duas vezes por semana, funcionários da Sanepar responsáveis pelo atendimento aos clientes ficam até mais tarde na sede da companhia para participar das aulas de Linguagem Brasileira de Sinais (Libras). A meta é garantir o acesso dos portadores de deficiência auditiva aos serviços da empresa.
A pedagoga Cleusa Camargo de Oliveira, que perdeu a audição em decorrência da meningite na infância, é a responsável pelo treinamento. Ela também leciona no Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles).
Para o atendente comercial Elflal Esteves, 22 anos, que trabalha no Escritório de Atendimento ao Cliente na Avenida Higienópolis, o aprendizado será útil no dia a dia. Há dois meses, recorda o funcionário, ele enfrentou dificuldades para atender um portador de deficiência auditiva.
''Ele queria negociar uma parcela menor numa conta atrasada, mas precisei pedir que alguém da família viesse com ele para ajudar. Se fosse hoje, ele teria saído com o problema resolvido'', garante.
O curso ainda está no começo. Foram quatro horas e meia de um total de 30 horas. De acordo com o atendente Alan Machado Pizzo, 28, tão importante quanto os sinais da Libras é a postura. ''Temos que usar muita expressão facial e manter as mãos na altura do peito, para que a pessoa possa ver os sinais e o rosto'', explica Pizzo.
Ele também tem na memória um episódio emblemático da dificuldade de atender um portador de deficiência auditiva. Como o cliente não entendia algumas palavras escritas, a comunicação ficou ainda mais difícil.
Apesar de não fazer atendimento direto ao público, Maria Marta Marra, responsável pelo setor de Recursos Humanos, também está no curso. Ela acredita que a técnica pode ser útil na seleção de profissionais. ''Pode acontecer de um portador de deficiência visual ser candidato a uma vaga. O conhecimento da Libras é um diferencial para a empresa'', ressalta.
As 30 horas são suficientes para um treinamento básico. Em pouco tempo, no entanto, os funcionários, na opinião de Cleusa Oliveira, apresentaram grande evolução. Ela acrescentou que é importante que os alunos pratiquem fora da sala de aula para que o aprendizado seja efetivo. A solução encontrada pelos funcionários é praticar com os próprios colegas de curso.
A diretoria da companhia em Londrina estuda a formação de uma nova turma. ''A ideia é atingir 100% dos funcionários responsáveis pelo atendimento ao público e leituristas'', adianta o gerente regional Oscar Fernandes. Hoje, cerca de 60 funcionários atuam nesses setores. Essa é a segunda iniciativa recente de inclusão de portadores de deficiência tomada recentemente pela Sanepar. A primeira foi a emissão de contas de luz em braile.

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