Os empresários do setor e a CMTU têm argumentos semelhantes para explicar o descompasso verificado no passado entre aumento de tarifa e salários de motoristas e cobradores. Segundo o diretor da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL), Gildalmo Mendonça, o aumento dos funcionários nos últimos anos foi absorvido pela empresa e esse seria um dos motivos do desiquilíbrio financeiro. Ele explica também que o acordo do ano passado que previa 10% de reajuste foi dividido em duas parcelas e a última só começou a ser paga em dezembro.
''Temos 60 ônibus com mais de dez anos, estamos sem condições de investimento e fizemos empréstimos para manter nossos acordos'', afirmou. ''Concordo que a passagem está cara, mas o último reajuste não levou em consideração o acordo de agora e houve uma bolha inflacionária terrível na transição do governo''. A Francovig lembra também que a planilha do reajuste de dezembro foi calculada sem levar em conta a parcela de 30% de reajuste do ano passado.
Segundo o presidente da CMTU, Wilson Sella, nos últimos anos não houve necessidade aumentar a tarifa de ônibus junto com o reajuste de salários porque os insumos não teriam subido tanto como nos últimos meses. Ele disse, no entanto, desconhecer o atrelamento do acordo da categoria com aumento de tarifa.
Mesmo com a liberação do reajuste pela CMTU, o Sinttrol faz assembléia geral na segunda-feira. ''Vamos nos preparar para uma possível liminar do MP proibindo o aumento'', adianta o presidente do sindicato.
Questionado sobre os intervalos longos dos últimos aumentos, ele creditou isso à baixa inflação do período e ''interesses políticos em tempos eleitorais''. ''Passamos por uma bolha inflacionária por conta das eleições presidenciais e acho que não era interesse da prefeitura subir tarifa, mas no ano que vem não vamos mais negociar assim (com atrelamento de preço de tarifa). As empresas que se virem e se tiver que sair greve que saia'', afirmou.

mockup