Além das irregularidades administrativas, outros problemas apontados pela auditoria na prestação de contas da Acalon dizem respeito ao excesso de pessoal (ao todo, 26 da Acalon e oito da prefeitura) e aos resultados pouco efetivos das oficinas e da inserção de alunos recuperados no mercado de trabalho.
Ontem, o clima era apreensão entre os funcionários. Segundo a secretária Maria Luiza Rizotti, eles devem ser demitidos caso ocorra o processo de municipalização. Sem salário há quase três meses (a crise se agravou quando o convênio com a prefeitura foi interrompido), responsáveis pelas oficinas e pela manutenção do prédio temem as futuras medidas.
''A escola é como se fosse minha casa e, aqui, além de ensinar, aprendo todo dia com os alunos'', conta a auxiliar de ensino Ana Patrícia de Andrade, ex-aluna que há oito anos se tornou funcionária. ''Ajudei a cortar a faixa da inauguração e agora posso posta para fora'', acrescenta. Pouco otimista também está o responsável pela reciclagem, Nildemir Valim de Paula, que trabalha e vive como caseiro na escola desde a fundação. ''Ainda resta um pouquinho de esperança, mas sabemos que a demissão logo, logo chega até nós. E nem será de causar estranhamento, pois não se tem dinheiro hoje nem para comprar vassouras!'', afirma, incrédulo.
Professores e alunos demonstram a mesma preocupação. ''Sou professora do município, concursada, e sei que posso conseguir outra escola. Mas o que o preocupa é o vínculo dos alunos com os funcionários: é muito forte, quase de família, mesmo'', destacou Maria Inês Ribeiro. Viúva, mãe de dez filhos (quatro dos quais estudam na Escola Oficina) e aluna da alfabetização de jovens e adultos na entidade, a dona-de-casa Dair Silva Gouveia concorda. ''Meu sonho é poder ler e escrever, e esses pais têm me ajudado muito a realizá-lo.''

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