Curitiba Funcionários do Hospital de Clínicas (HC), de Curitiba, contratados pela Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), decidiram entrar em greve a partir de terça-feira, dia 22. O sindicato que representa a categoria, Sinditest, alega que a administração do HC e da Funpar não quiseram negociar o reajuste reivindicado de 18,75% referente à reposição da inflação, pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), acumulada nos últimos 12 meses. O indicativo de greve foi tomado ontem.
''A culpa exclusiva dessa greve é da administração do HC e Funpar'', acusou o presidente do Sinditest, Antônio Néri de Souza. Segundo ele, a direção estaria criando empecilhos para abrir as negociações e, com isso, ''ganhar tempo''. ''Eles alegam que o sindicato não apresentou toda documentação necessária'', disse.
Néri preferiu não dar nenhuma estimativa sobre a adesão à greve. Mas disse não ter dúvida de que o atendimento no HC ficará comprometido, já que o quadro enxuto de pessoal, segundo ele, obriga os funcionários a dobrarem seus turnos. No ano passado, garantiu, foram pagas 59 mil horas extras.
O diretor-geral do HC, Giovanni Loddo, disse que a Funpar está disposta a negociar desde que o Sinditest atenda as exigências legais para o acordo coletivo. A direção da Funpar, segundo ele, exigiu que a negociação envolva apenas os funcionários lotados no HC. Segundo ele, o Sinditest, na tentativa de ampliar a base sindical, estaria incluindo na pauta de reivindicações servidores dos hospitais do Trabalhador e Vítor do Amaral, representados por outros sindicatos.
Outra exigência feita pela Funpar, prevista em lei, foi que o Sinditest apresentasse a ata da assembléia que aprovou a pauta de reivindicações com quórum mínimo de associados e a lista com os nomes dos funcionários que fariam parte da mesa de negociação.
Loddo alegou que a direção da Funpar prefere seguir rigorosamente a legislação para não ficar à margem de eventuais questionamentos. Recentemente, a instituição foi alvo de denúncias do Ministério Público (MP). ''Nosso pedido não é tão absurdo assim'', declarou o diretor, lembrando da liminar concedida, anteontem, pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 9 Região, dando prazo de cinco dias para o sindicato apresentar os documentos, sob pena de multa diária de R$ 500,00. Néri disse que o Sinditest irá atender a determinação da Justiça.
Quanto à greve, Loddo já adiantou que caso a paralisação de algum setor venha a trazer prejuízos para os pacientes, o hospital irá apelar para a Justiça. A Funpar mantém 1.365 funcionários lotados no HC. O hospital atende diariamente cerca de duas mil pessoas no setor de urgência-emergência, além de 400 internamentos.
Loddo disse que a contratação por concurso público de 402 funcionários anunciada no início da semana pelo Ministério da Educação será para substituir os atuais servidores contratados pela Funpar. Por essa razão, não resolve o déficit de pessoal do HC.

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