Funcionários do BC, do BB e da Receita podem estar envolvidos
A metralhadora giratória disparada pela investigação da lavagem de dinheiro na fronteira Brasil-Paraguai atinge diretamente a Receita Federal, o Banco do Brasil e o Banco Central, em Curitiba. Os procuradores federais Alexandre Porciúncula, de Foz do Iguaçu, e Celso Antônio Três, de Cascavel, acusam funcionários das três instituições de serem coniventes com as operações. Segundo eles, é impossível que movimentações de dinheiro deste porte sejam feitas sem a participação das entidades públicas. No Banco Central há uma tela de computador permanentemente ligada e que mostra, hora a hora, a movimentação das contas CC-5. Os funcionários do BC acompanham sistematicamente todas as movimentações, mas por receberem propina fizeram vistas grossas, diz Três.
Porciúncula denunciou um auditor fiscal que teria ficado tão rico com a corrupção que pediu demissão para administrar sua fortuna. Antes, recebeu gorda propina para prestar falso depoimento na Polícia Federal, acusa. Três afirma que funcionários do Banco do Brasil de Foz do Iguaçu e Curitiba sabiam que o dinheiro das CC5 não vinha do Paraguai, como manda a legislação, e não faziam nada. Um diretor de área do Banco Central, no Paraná, na época em que o escândalo explodiu, também foi diretamente acusado pelos procuradores. Sua identidade, assim como a de todos os outros envolvidos, está sob investigação que corre em segredo de Justiça.
Em junho do ano passado, a Polícia Federal descobriu que uma grande empresa de São Paulo, envolvida com a lavagem de dinheiro, movimentava ilegalmente grandes somas, possivelmente para o pagamento de propinas a funcionários de instituições públicas.
Por causa destas denúncias, o Banco Central abriu um processo contra os dois procuradores, em julho passado. O banco os acusava, entre outras coisas, de calúnia, difamação e injúria. E pedia sua imediata retratação, já que as declarações são altamente lesivas à honra da Autarquia Federal e de seus funcionários. O processo foi julgado em primeira instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região que, em dezembro passado e por unanimidade, rejeitou as acusações do Banco Central.
Logo em seguida, o Tribunal mandou que o Banco Central apresentasse todos os registros de operações com as contas CC5 realizadas nos últimos três anos. Há situações absurdas. O Banco Central que, por lei, deve notitificar a Receita Federal sempre que ocorrem grandes remessas de dinheiro para o exterior, simplesmente escondia estas operações. Nos últimos meses, depois que o escândalo estourou, estas comunicações têm sido quase imediatas. Em outras palavras, o Judiciário reconheceu prevaricação no comportamento do Banco Central durante aquele período, conclui Três. (P.S.M. e A.C.)





