Funcionários denunciam grevistas por agressão
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quinta-feira, 02 de março de 2006
Silvana Leão<br>Reportagem Local 
A tentativa de realizar a coleta de lixo à noite com caminhões e funcionários da própria CMTU se transformou no capítulo mais controverso da greve. Funcionários da companhia afirmam ter sido agredidos fisicamente pelos grevistas e tiveram os veículos roubados na noite de anteontem. João Evangelista Ribeiro e Cridionário Alves de Oliveira foram destacados para fazer a coleta emergencial no Centro, mas teriam sido impedidos de trabalhar e agredidos pelos grevistas, por volta das 23h30, na esquina da Avenida Celso Garcia com Rua Brasil. Um terceiro servidor que estava no caminhão, Milton Bernine, revelou que só não foi agredido porque se escondeu no meio do lixo.
''Nunca apanhei tanto na minha vida. Eles nos derrubaram no chão e nos deram muitos socos e pontapés'', contou Oliveira, enquanto esperava no início da tarde de ontem pelo exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML). O laudo deverá ser anexado ao inquérito policial que foi aberto pela Polícia Civil para apurar o caso, a pedido da CMTU. Ribeiro, que também fez o exame no IML, disse que pôde perceber que os agressores estavam armados. ''Dava para perceber que eles tinham um volume na cintura'', relatou.
Segundo o técnico responsável pela área de resíduos da CMTU, Elsoni José Delavi, o mesmo grupo ligado ao movimento paredista tomou um outro caminhão, às 22 horas, na saída do Aterro Sanitário. Os funcionários conseguiram fugir. Logo depois, nas imediações da Rua Belo Horizonte (Centro), o carro utilizado pelos grevistas teria cercado mais um caminhão, mas o motorista conseguiu escapar do cerco.
''Foi uma ação covarde. Queremos que o fato seja apurado para que isto não vire uma prática comum'', afirmou o diretor operacional da CMTU, Fábio Reali. Sobre a tentativa de realizar o serviço com funcionários da prefeitura, ele disse que é papel da CMTU não deixar a cidade sem coleta.
Os dois veículos que teriam sido roubados estavam estacionados até ontem à tarde em frente à Fossil. A assessoria jurídica da CMTU requisitou junto à Polícia Civil medidas para a retomada dos caminhões. O diretor da Federação dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação do Paraná, João Geronimo, afirmou que os veículos não foram roubados. ''Aqui não tem bandido não, somos trabalhadores.''
No final da tarde a Folha tentou falar com um representante da Feaconspar sobre as denúncias de agressão, mas não conseguiu contato. (Colaborou Fábio Cavazotti)


