Os funcionários do setor de indústria da Usina Central de Porecatu (85 km ao norte de Londrina) estão em greve por falta de pagamento desde a última segunda-feira. Como os ônibus usados no transporte dos trabalhadores foram interditados pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho no último dia 8, o corte de cana também está parado. Representantes dos trabalhadores e da empresa têm uma rodada de negociação marcada para hoje.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Alimentação de Porecatu e Região, Celso Fernandes de Mattos, a paralisação é total. Aproximadamente 1,2 mil funcionários, incluindo os terceirizados, estão parados. O salário de julho ainda não foi pago.
Mattos disse que tem a expectativa - e o ''anseio'' - é de que os atrasados sejam quitados hoje. Enquanto a confirmação do pagamento não vem, os trabalhadores têm enfrentado dificuldades financeiras, inclusive com cortes no fornecimento de água e luz. Os grevistas também não estariam conseguindo crédito no comércio para comprar mantimentos. No mês de maio os trabalhadores já haviam paralisado as atividades por falta de pagamento.
''Estou apreensivo. É humanamente impossível a gente se acostumar com essa situação. Temos que pedir a Deus que ilumine a cabeça desse pessoal (representantes da usina), senão será o caos total'', declarou Mattos. Atualmente, a usina está desmontada para manutenção. A expectativa do sindicato é que a moagem da cana seja retomada em 10 de setembro.
O padre da Igreja Matriz, Manoel Joaquim, informou que um grupo formado por integrantes da sociedade civil de Porecatu está acompanhando a situação da Usina Central. Uma reunião com o Ministério Público do Trabalho, para verificar que ações as autoridades governamentais devem tomar, está marcada para a próxima terça-feira. Para ele, a fiscalização comprovou que existe trabalho análogo ao escravo na usina e, no mínimo, desrepeito às condições mínimas de dignidade dos trabalhadores.
O padre queixou-se porque representantes do grupo não teriam sido recebidos pela diretoria da usina esta semana. ''A situação é calamitosa. Muitas famílias já estão pedindo cestas básicas. Estamos avaliando a hipótese de os próprios trabalhadores pedirem a falência da empresa, uma vez que são os maiores credores da usina'', revelou. Manoel Joaquim acrescentou que os atrasos de salários ''sempre'' ocorreram e que a intenção da sociedade civil organizada de Porecatu é buscar uma solução definitiva para o caso. A reportagem entrou em contato com a Usina Central, mas foi informada que a diretoria prefere não se manifestar.

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