Paulo Ubiratan
De Londrina
Parte dos 150 funcionários da Metalúrgica Multimetal, de Cambé, paralisou as atividades ontem de manhã reivindicando o pagamento do 13º salário e o cumprimento do acordo salarial que prevê o adiantamento de 50% do salário no dia 15. Os trabalhadores alegam também que a empresa não depositou o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) referente ao ano passado.
Depois de algumas horas, os funcionários voltaram ao trabalho. ‘‘A situação da empresa não está boa. Hoje (ontem), a pedido do proprietário (Moacir Ximenes), decidimos mais uma vez aguardar por uns dias que os problemas salariais sejam resolvidos’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Londrina, Sebastião Raimundo da Silva.
Os funcionários dizem que não sabem o que fazer, pois estão passando até fome. Eles não quiseram se identificar, alegando que poderiam ser perseguidos. ‘‘Estamos passando por uma situação terrível, que muitas vezes nos deixa sem saber o que fazer. Se a gente forçar uma greve definitiva a fábrica pode fechar. Por outro lado, se a gente não forçar os patrões para que cumpram com suas obrigações pagando nossos direitos, eles vão continuar empurrando os problemas com a barriga como vem acontecendo até agora’’, desabafou um funcionário.
Segundo Sebastião Raimundo, a Metalúrgica Multimetal trabalha diretamente na fundição de peças para as montadoras de automóveis no Brasil. ‘‘A alegação da empresa de estar nesta péssima situação financeira é a recessão econômica que está acontecendo no Brasil. O problema afeta diretamente a indústria automobilística que por extensão atinge todas as indústrias que abastecem o setor’’, disse o presidente do sindicato.
Até o fechamento desta edição, o proprietário da empresa, Moacir Ximenes, não havia retornado as ligações da reportagem para dar a sua versão ao caso, conforme havia prometido por intermédio de sua secretária, Nelci. Nos quatro telefonemas, a secretária afirmou que ele estava em reunião.

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