Dois funcionários do Hospital Evangélico de Londrina foram levados na madrugada de ontem à 10 Subdivisão Policial de Londrina por desobediência a ordens policiais. Eles teriam dificultado o acesso de policiais militares ao pronto-socorro do hospital.
De acordo com informações da Polícia Militar, a equipe da PM foi chamada por um médico socorrista da Econort - concessionária que administra o pedágio da BR-369, km 126, em Jataizinho (21 km a leste de Londrina) -, que denunciava uma situação de omissão de socorro. A vítima era Leandro da Silva, de 19 anos, que tinha sido atropelado próximo ao município de Jataizinho e estava com uma fratura exposta na perna esquerda.
O diretor da Associação Evangélica Beneficente de Londrina, mantenedora do Hospital Evangélico, Oziel Torresin de Oliveira, afirmou que socorristas e policiais teriam abusado da força para exigir atendimento ao paciente. ''A nossa funcionária só estava fazendo o procedimento tradicional. A vítima estava acompanhada de um médico, por isso não entendemos que havia risco de morte. Ninguém ia se omitir de prestar socorro'', esclareceu.
Ele ainda garantiu que o médico socorrista e o paciente estavam exaltados pois já haviam tentado atendimento em outro hospital do município.
Oliveira relatou que um policial teria ameaçado dar voz de prisão e pegar em arma. ''Isso tudo aconteceu em frente a um pronto-socorro. Outros pacientes ficaram assustados. Talvez tenha havido um pouco de exagero na ação'', enfatizou. Imagens veiculadas por uma emissora de televisão mostravam, por outro lado, seguranças do hospital tantando impedir as filmagens, abaixando o microfone do repórter à força e empurrando a câmera.
A confusão só foi contida com a chegada do oficial da PM, tenente Rangel Calixto. Os funcionários foram levados à 10 SDP onde foi lavrado um Termo Circunstanciado (TC). O paciente, Leandro da Silva, foi atendido no próprio Hospital Evangélico, onde permanece em observação. Seu estado de saúde era estável ontem.
Oliveira afirmou lamentar o ocorrido e garante que aguarda mais informações para apurar como, de fato, foi feito o atendimento inicial no pronto-socorro. O relações públicas da PM, tenente Ricardo Eguedis, por sua vez, disse que ''a equipe do 5º Batalhão da Polícia Militar está à disposição para dialogar com representantes do Hospital Evangélico e verificar onde houve abuso''.
A reportagem da Folha tentou entrar em contato com a Econorte várias vezes e foi informada que só a assessoria de imprensa poderia falar sobre o caso. A assessora não foi localizada ontem.

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