Katia Baggio Especial para a Folha
Funcionários do Hospital Evangélico de Londrina (HEL) fizeram ontem uma paralisação simbólica na frente do hospital. A intenção da categoria é chamar a atenção da população e dos dirigentes das instituições de saúde sobre o impasse nas negociações salariais entre os sindicatos dos funcionários e patronal. As negociações começaram em maio, data-base da categoria. Depois de quatro rodadas e nenhum acordo, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina (SinSaúde) decidiu organizar a paralisação. O movimento aconteceu na entrada dos três turnos do hospital, às 7, 13 e 19 horas.
A expectativa do SinSaúde era reunir 200 funcionários na manifestação das 13 horas, maior turno do hospital, mas somente cerca de 100 pessoas apoiaram o movimento. Segundo a assessoria do HEL, a participação no turno das 7 horas foi de cerca de 40 funcionários.
O SinSaúde foi informado que o sindicato patronal não pretende fazer a reposição salarial de 3,88% de inflação acumulada no período. Os cortes apresentados atingem as férias de 45 dias para quem trabalha há mais de 10 anos (voltaria a ser 30 dias). Também está previsto o fim do abono de meio salário mínino nas férias do funcionário que não teve falta no período e o aumento da carga horária, de 36 para 40 ou 42 horas semanais.
Mas a possível modificação que está provocando maior revolta é a padronização do anuênio para 4%, independente do tempo de serviço. O fim desse benefício pode significar perda de 10 a 20% no salário dos funcionários mais antigos. É o caso da técnica de enfermagem Regina Fauni Funtolan, 60 anos. ‘‘Trabalho há 23 anos no Evangélico e me sinto traída. Não temos plano de saúde nem salário justo, mas dedico minha vida ao hospital. Como alguém pode querer diminuir o pouco que eu ganho?’’.
A diretoria do HEL argumenta que o baixo valor repassado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é a principal causa dos problemas financeiros. O SinSaúde vai tentar novo contato com o sindicato dos hospitais. Caso não haja acordo, os trabalhadores devem se reunir em assembléia e começar a mobilização para uma greve prevista para julho.
O presidente do Sindicato dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Londrina, Fahd Haddad, disse ter ficado surpreso com a paralisação. ‘‘Como os funcionários podem parar para chamar a atenção da população? Eles estão irredutíveis e nós querendo evitar medidas mais drásticas, como demissões, por exemplo’’.
Haddad disse que, até agora, todos os reajustes do INPC foram repassados, apesar das tabelas do SUS e dos convênios não darem um centavo de aumento. ‘‘A situação foi gerando atraso em nossos compromissos, inclusive nas folhas de pagamento’’.
Haddad argumentou que a convenção dos funcionários da saúde de Londrina os torna os mais beneficiados do Paraná. ‘‘Eles sabem como está a saúde no País. Aqui estão vivendo uma situação utópica. Quando colocarem os pés no chão poderemos conversar de novo’’.

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