Funcionários de hospital fazem greve
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terça-feira, 27 de outubro de 1998
Luciane Tonon 
Os funcionários do Hospital Nossa Senhora da Saúde, em Santo Antônio da Platina (25 km ao sul de Jacarezinho), estão em greve desde a noite de anteontem. Há dois meses eles não recebem os salários. Eles garantiram ontem que só voltarão a trabalhar depois que as duas folhas de pagamento forem acertadas. O hospital continua atendendo as emergências e os pacientes que já estavam internados.
Desde novembro do ano passado o pagamento vem atrasando. Mas em julho deste ano a situação piorou. Passamos a receber dois cheques pré-datados, que na maioria das vezes estavam sem-fundos, explicou a auxiliar de enfermagem Mariza Ferreira da Cunha.
Os 152 funcionários que estão em greve - a maioria ainda não recebeu a folha de setembro - justificaram ontem que já estavam cansados de atender ao pedido de voto de confiança feito pela administração do estabelecimento. A situação está insuportável. As obrigações e cobranças são inúmeras no nosso dia-a-dia e na hora de receber, temos que ficar sem perspectivas, afirmou Mariza. Segundo ela, o salário de um auxiliar de enfermagem gira em torno de R$ 390.
O administrador do hospital, Fernando César Alves, informou que há um ano tenta controlar a situação, para evitar que o hospital feche. Só que agora estamos sem dinheiro para a folha de pagamento e sem dinheiro para os fornecedores, afirmou. Ele explicou que o problema é causado por uma dívida antiga do hospital, de cerca de R$ 350 mil. Para o hospital poder respirar, necessitaríamos de pelo menos R$ 250 mil.
Segundo Alves, a verba mensal repassada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é de R$ 72 mil e de convênios é de R$ 20 mil. Só a folha de pagamento do estabelecimento é hoje de R$ 55 mil. Cerca de 85% dos pacientes são atendidos pelo SUS. Ontem à tarde, Alves tentou negociar com os funcionários e propôs o pagamento do salário de setembro no início de novembro, e o de outubro no decorrer do mesmo mês ou no máximo no início de dezembro. Os funcionários não aceitaram.
Está na hora do governo olhar mais para a saúde do país, que está um caos. Não podemos mais uma vez aceitar propostas incertas. Porém, vamos respeitar os pacientes, disseram os funcionários, que pretendem permanecer com a mobilização, em frente ao hospital.


