Maringá Funcionários do Hospital Psiquiátrico de Maringá paralisaram os serviços ontem por duas horas em protesto ao não pagamento do 13º salário. A administração do hospital afirma que não tem dinheiro porque o município não repassou R$ 477 mil referentes aos meses de setembro e outubro do atendimento feito ao Sistema Único de Saúde (SUS). O hospital acusa a Secretaria Municipal de Saúde de desvio de finalidade e ajuizou uma ação com pedido de liminar exigindo o repasse direto do dinheiro do SUS.
São 160 funcionários que atendem, em média, 360 pacientes internados todos os meses no hospital. Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimento de Saúde Elizeu Mortean, os empregados ''não tem nada a ver com o problema entre a prefeitura e o hospital''.
A diretora do Hospital Psiquiátrico de Maringá, Maria Emília Parisoto Mendonça, disse que o hospital não tem mais capacidade para empréstimos bancários. ''Recorremos à Justiça para que o pagamento do Ministério da Saúde venha direto ao hospital'', destacou. A diretora informou que até ontem a Justiça não havia se pronunciado sobre o pedido de liminar. ''Os funcionários se revoltam porque, tradicionalmente, sempre receberam a primeira parcela do 13º no quinto dia útil de novembro'', explicou Maria Emília.
O secretário de Saúde, Paulo Donadio, disse ontem que o atraso atinge todos os prestadores do município e acumula em setembro e outubro o valor de R$ 4 milhões. Donadio afirmou que o teto do município junto ao SUS é de R$ 2,7 milhões, enquanto os prestadores, a maioria hospitais, emitem uma fatura mensal em torno de R$ 2,9 milhões. ''Se o psiquiátrico quer receber direto do SUS, o Ministério da Saúde terá que colocar fim à gestão plena do município'', disse o secretário.
Donadio explicou ainda que o repasse do SUS é para o gestor municipal e não está ''carimbado'' para um ou outro hospital. ''O município devia acumulados para o psiquiátrico de R$ 330 mil desde 1998 e já pagou. Agora o dinheiro do teto é insuficiente para o repasse integral'', disse o secretário. ''Não existe desvio de finalidade e sim a falta de dinheiro'', acrescentou Donadio.

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