De janeiro a agosto deste ano já foram três greves envolvendo professores de Centros de Educação Infantis (CEIs) de Londrina. O número de paralisações aumentou ontem, quando as profissionais das CEI Regina Barros, que fica na Zona Norte e atende 50 crianças, e da Francisco Seixas, na Zona Sul e atende 80 crianças, decidiram suspender as atividades. O motivo é recorrente. A entidade mantenedora das instituições não apresentou os documentos exigidos pela Secretaria Municipal de Educação para liberação da verba que garante o pagamento dos salários.
Sem a documentação, que deve ser entregue todos os meses, o município retém o dinheiro. Estas CEIs que entraram em greve ontem empregam seis professores que estão sem os salários de agosto e setembro. Apesar da greve, o atendimento na CEI Francisco Seixas foi mantido pela diretora que, em companhia da diretora da Regina Barros, foram até a instituição para receber as crianças.
''Já tivemos três reuniões com os membros da diretoria desta associação e eles afirmam que passaram por dificuldades financeiras. O nosso recurso é um auxílio, mas os mantenedores são eles'', argumentou a gerente de Gestão Escolar da secretaria, Simone Magrinelli. ''A gente espera que daqui dois meses estas CEIs não estejam com problemas novamente. O Ministério Público já nos procurou e enviamos informações sobre este assunto para eles'', afirmou.
Entre as professoras da instituição o clima é de insegurança. ''Entrei com pedido de demissão direta porque se eles decretarem falência eu garanto o recebimento. Sei de mais duas professoras que fizeram a mesma coisa mas acho que outras também tomarão esta iniciativa'', disse uma funcionária, que pediu para não ser identificada. Segundo ela, a diretoria afirma que não tem previsão de pagamento de salário. ''Aí a gente tem que se virar. É difícil, sabemos que os pais precisam da creche, mas a gente também precisa receber'', defendeu-se.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Professores de Escolas Particulares (Sinpro), Eduardo Nagao, a situação começou a se agravar no ano passado. ''Em uma reunião sugerimos que a diretoria da entidade devolvessem as creches para repassar a outro mantenedor, mas antes disso é preciso regularizar a situação que está pendente'', explica.
A reportagem tentou entrar em contato com a Associação Metodista de Assistência Social, mantenedora das CEIS, mas não conseguiu.

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