Dezenas de funcionários de autoescolas e despachantes de veículos realizaram ontem um protesto em frente ao Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), no bairro Tarumã,
pedindo aumento de salários e melhoria nas condições de trabalho. A manifestação foi a primeira ação da classe com o objetivo de chamar a atenção para a falta de repasse aos funcionários dos reajustes das tarifas para a formação de condutores. Alguns testes foram paralisados temporariamente, gerando atraso.
Caso a manifestação não surta efeito, uma paralisação geral é considerada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Autoescola e Despachantes de Veículos do Estado do Paraná (Sinpradesp).
O desentendimento entre os funcionários e os proprietários dos Centros de Formação de Condutores (CFCs) surgiu depois da convenção coletiva, em que o reajuste salarial de 7,64% proposto pelo sindicato patronal não foi aceito pela categoria. O valor, considerado baixo, levou o Sinpradesp a entrar, em agosto do ano passado, com uma ação de dissídio coletivo na Justiça do Trabalho, solicitando alterações na convenção.
A presidente do Sinpradesp, Arminda Moia Martins, diz que as autoescolas não repassaram aos funcionários os reajustes nas mensalidades ocorridos durante o ano passado. De acordo com ela, o aumento chegaria a até 100%. No ano passado, foram instituídas as regras da Resolução 285, que entrou em vigor no dia 1º de janeiro deste ano. A intenção é realizar uma melhor formação de condutores, diminuindo o número de acidentes. Com a nova resolução, as aulas teóricas de quem der entrada no processo, que antes eram de 30 horas, passaram a ter 45. As aulas práticas, que eram cumpridas em 15 horas, passam a ter 20 horas. Com isso, o valor para se tirar a carteira de motorista aumentou.

Reivindicações
De acordo com o sindicato da classe, o Paraná tem cerca de cinco mil funcionários em autoescolas. Hoje, um instrutor recebe R$ 506 fixos de salário mais R$ 1,50 por hora/aula. o sindicato luta por um salário fixo de R$ 750 mais R$ 3,50 por hora/aula. Além disso, os profissionais pedem melhoria nas condições de trabalho. "Há uma exploração dos CFC. Hoje, os instrutores de moto, por exemplo, dão aula para mais de um aluno e não recebem por isso. Muitos chegam a trabalhar até 12 horas por dia para completar o salário", denuncia Arminda.
Ela ainda reclama do que considera falta de atuação do Detran. "Consideramos o Detran como um órgão que poderia interferir, mas ele não valoriza o profissional", diz.
A FOLHA entrou em contato com o Sindicato do Proprietários de Autoescola (Siprocfc). O presidente da instituição, Justino Rodrigues da Fonseca, o único que responde pela classe, estava viajando. O sindicato informou, porém, que espera a decisão da Justiça para a ação de dissídio coletivo.

Transtorno
O Detran informou que houve uma paralisação de cerca de 10 minutos ontem, mas que os 47 testes marcados seriam realizados, mesmo com atraso. O órgão ainda informou que a questão é um assunto que deverá ser resolvido entre os sindicatos da categoria e o patronal. (Colaborou Diego Ribeiro)

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