Funcionários da UEL fazem protesto e queimam holerite
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Áureo Nogueira 
Funcionários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) realizaram ontem um protesto em frente à reitoria. Cerca de 200 servidores, conduzidos por um caminhão de som, realizaram assembléia na praça do Restaurante Universitário e caminharam até a reitoria, exigindo audiência com o reitor Jackson Proença Testa. Os manifestantes queimaram holerites contra o não-atendimento da pauta de reivindicações apresentada pela categoria em abril.
Cerca de uma hora depois, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Técnico-Administrativos da UEL (Assuel/Sindicato), Itamar André Rodrigues do Nascimento, e uma comissão formada por servidores do câmpus, do Hospital Universitário e dos órgãos suplementares externos, foram recebidos pelo vice-reitor, Márcio Almeida.
Mario CesarFogoGrupo inconformado queima o contrachequeItamar Nascimento explicou ao vice-reitor que a assembléia realizada minutos antes havia discutido a resposta da administração às reivindicações da categoria. Como a universidade não atendeu a nenhum dos 22 pontos da pauta, a assembléia decidiu realizar a manifestação em frente à reitoria e exigir a abertura de negociações.
O presidente do Assuel/Sindicato destacou que a categoria discorda da forma como a administração está implantando o termo de autonomia universitária assinado com o governo do Estado. No entendimento dos servidores, as medidas - principalmente o corte no pagamento das horas extras - atingem somente os funcionários. E o Tide (adicional por dedicação integral), o pagamento de plantões à distância, dos assessores especiais, de cargos comissionados e das funções gratificadas?, questionou Nascimento.
O vice-reitor afirmou que a administração está aberta ao diálogo e que o direito à manifestação também está assegurado. Enfatizou que a administração está fazendo o possível para não penalizar nenhuma categoria. E que outras medidas serão adotadas até o fim do ano. Certas mudanças, como a do Tide, exigem avaliação caso a caso para comprovar eventual fraude, disse.
Mario CesarReuniãoVice-reitor fica irritado com a comissãoItamar contestou argumentando que desde a entrega da pauta, em 1º de abril, não houve nenhuma negociação e as medidas da administração foram decididas sem democracia nem transparência, atingindo especialmente os funcionários. E ainda denunciou pressão de chefias, com a ameaça de corte do cartão-ponto dos servidores que participassem da assembléia. Perseguição à assembléia não ocorria nem no tempo da ditadura, disse o sindicalista.
Márcio Almeida se irritou profundamente e disse que falta memória histórica ao presidente do Assuel/Sindicato. Todas as decisões foram aprovadas pelo Conselho de Administração e não há orientação da reitoria para coibir participação na assembléia. No tempo da ditadura sequer podíamos nos reunir. Se quiserem manter diálogo, não comparem esta administração com as do tempo da ditadura, exigiu o vice-reitor, incisivamente.
Mesmo com a exaltação dos ânimos, os participantes da reunião se dirigiram ao gabinete do reitor. Jackson Testa reiterou os argumentos de Almeida e disse que não poderia abrir negociações sobre a pauta dos servidores porque o rol precisa ser avaliado pelo Conselho de Administração.
Com o final da reunião, os servidores decidiram manter a mobilização e realizar três manifestações na semana que vem. Provavelmente na quarta-feira, os servidores vão protestar no Hospital Universitário e, na quinta-feira, na Câmara de Vereadores e na prefeitura. Somos favoráveis à reforma administrativa, mas exigimos transparência e democracia, disse Nascimento.


